quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Sobre a ociosidade e pusilanimidade gerais
Deixei-me ficar muito tempo sentado àquela mesa, abatido. O que me preocupava não era apenas a legalidade duvidosa da situação, nem o acréscimo de esforço e responsabilidades que ela me traria. Era que havia sido decidida pelos meus pares por pura comodidade, num acesso de leviano egoísmo, a que os problemas da cidade, os interesses de Roma eram completamente alheios. Como é que aquilo se tinha tornado possível? Não haver sequer uma voz que chamasse à discussão o interesse público, nem um raciocínio que ponderasse as ameaças que impendiam sobre Tarcisis, nem um gesto mínimo de renúncia sobre a ociosidade e pusilanimidade gerais... Estavam então assim os meus cidadãos? Os meus súbditos, como eu quase poderia agora dizer com propriedade?
Nessa noite, escrevi até altas horas, não para Roma, mas para mim próprio, na intimidade do meu cubículo. Quis tomar nota de tudo, antes que sobreviesse o esquecimento.
Mário de Carvalho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde
segunda-feira, 28 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
sábado, 26 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Moonrise
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| Moonrise, Edwin Church, 1889 |
"(...) Em Delos, Património da Humanidade, as pedras foram largadas às silvas e aos cardos, às lagartixas e aos corvos. Nasce um pinhal no meio de colunas. Grande parte da cidade está vedada porque se tornou perigosa. As cisternas estão cheias de água estagnada com mosquitos. As víboras rastejam na sombra. O teatro de Dionysos não se pode visitar. Nem as casas, a de Dionysos, a de Cléopatra, do Tridente. O museu está deserto de guardas, com alas fechadas. O Terraço dos Leões foi invadido pela natureza. A loja fechou. O Estado grego, sem dinheiro, sem funcionários, sem Ministério da Cultura, demitiu-se de Delos. As ervas daninhas e as flores silvestres, os répteis e os insetos devoram Delos. A cidade está submersa em vegetação e abandono e à guarda do tempo, esse grande escultor. Angkor Wat renasce, Delos morre.
E que deixará esta civilização que rivalize com a beleza de uma estatueta de Afrodite ou uma figurinha de terracota? Um iPad."
quinta-feira, 24 de maio de 2012
The Harp-Weaver
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| Edna St. Vincent Millay, s/d, s/a |
"(...) Cora e as suas três filhas — Edna (que mais tarde insistiria em ser chamada de Vicent), Norma e Kathleen — saltaram de cidade em cidade, procurando a ajuda e simpatia de família e amigos. Embora pobre, Cora nunca deixou de viajar sem se acompanhar pelo seu baú repleto de literatura clássica, incluindo William Shakespeare, John Milton e outros, que lia com entusiasmo às suas filhas com a sua pronúncia irlandesa. A família acabou por se fixar em Camden, no Maine, numa pequena casa de uma tia rica de Cora. Foi nesta modesta casa que Millay escreveu o primeiro dos poemas que a catapultariam para a fama literária. Cora educou as suas filhas para serem independentes e para dizerem o que pensavam, o que nem sempre foi bem aceite pelas figuras autoritárias da vida de Millay. Millay preferia ser chamada por "Vincent" e não "Edna", que considerava vulgar — o director da sua escola primária, ofendido pelas atitudes frontais de Millay, recusou-se a chamar-lhe Vincent, chamando-a antes por qualquer nome de mulher começado por "V"."
Ler tudo aqui.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
La Vue
Um dia dizia-lhe eu: "Menina, imaginai um cubo. — Estou a vê-lo. — Imaginai no centro do cubo um ponto. — Está feito. — Desse ponto tirai linhas rectas aos ângulos; pois bem, tereis dividido o cubo. — Em seis pirâmides iguais, acrescentou sozinha, tendo, cada uma, as mesmas faces, a base do cubo, e metade da sua altura. — É isso mesmo; mas onde é que vedes tudo isso? — Na minha cabeça, como vós."
terça-feira, 22 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Ainda de ontem - 7
“She [Victoria Winters] (...) likes to pretend she's rock'n'roll but she's a Carpenters kind of chick for sure”.
For sure. Até estremeci.
O trailer do mais recente filme do Tim Burton está aqui.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
Do dia - 29
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Empreendedorismo, esse ... (insira palavrão)
"O axioma neoliberal de que o princípio ativo do mundo é o mercado e de que neste vencem os mais empreendedores sujeita-nos a todos a um clima progressivamente mais competitivo, porque o espaço de mercado não é ilimitado e para uns vingarem outros terão de ficar pelo caminho. Se a competição é um traço inscrito na relação entre as espécies em qualquer ecossistema, erigi-la em princípio primeiro da existência social perverte a relação entre os indivíduos, exacerba a agressividade e, a prazo, produz uma elite de vencedores e uma imensa massa de derrotados.
É a instalação deste princípio neoliberal que destrói o poder integrador da relação de trabalho, que corrói o equilíbrio entre empresa integradora e empresa competitiva, que desgasta as relações laborais, que submete os indivíduos à evidência de que bater a concorrência é fazer melhor e mais barato, ou seja, trabalhar mais e mais qualificado ganhando menos, ganhando muito menos às vezes, não ganhando nada (o “ganhar currículo” dos estágios profissionais), pagando para trabalhar (quando a deslocação para longe consome mais do que o que se aufere).
O pano de fundo de tudo isto é a ameaça: não quer? Vá-se embora e deixe trabalhar quem está disposto a tudo no desespero das fileiras do desemprego. Cereja em cima do bolo: está desempregado? Tire um curso de empreendedorismo. A seguir, monte um negócio, uma microempresa, uma coisa qualquer. Não consegue ter clientes? Ainda não tem as competências necessárias, não desista da aprendizagem ao longo da vida. Faça outro curso de empreendedorismo – e assim por diante."
Luís Fernandes, a ler na íntegra aqui.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
Ainda do dia - 2
« - Mãe Genoveva !
E Genoveva, subitamente, sentiu-se iluminada, docemente ungida de um sinal de maternidade para todos os tempos da esperança e do amor.»
Vergílio Ferreira, «Mãe Genoveva»
in «Contos»
Bertrand, 1993
sábado, 5 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Desta manhã bonita em que trabalho - 4
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| Leonore, Emma Fordyce MacRae (1887 - 1974)
Ao som desta Sonata de Kreutzer.
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
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