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sábado, 16 de setembro de 2017

Ajudar a cair

Não é claro quem guia quem na tarefa de nos valermos uns aos outros, enquanto seres humanos. (...) Guiamos os outros antes, depois e independentemente de o nosso corpo deixar de ser capaz de o fazer. Somos essa continuidade de sombras: o avesso de um ditado. O mistério reside em saber se quem redige está a conduzir ou a ser conduzido, e por onde.
Djaimilia Pereira de Almeida, Ajudar a cair.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Definição de intimidade

"Mas o que primeiro sentimos na vida do coração é a sua condição de escura cavidade, de recinto hermético: Víscera; entranha. O coração é o símbolo e representação máxima de todas as entranhas da vida, a entranha onde todas encontram a sua unidade definitiva e a sua nobreza. […] Este abrir-se é a sua maior nobreza, a acção mais heróica e inesperada de uma entranha que parece de imediato não ser senão vibração, um sentir puramente passivo. Signo de generosidade porque indica que aquilo que primariamente é somente passividade – acusação – se transforma em activo. E é tão passivo que não deixa de o ser ao actuar, é o oferecimento daquilo que não tem outra coisa senão integridade. Suprema acção de algo que, sem deixar de ser interioridade, a oferece num gesto que parece que poderia anulá-la, mas somente a eleva. Oferece-se por ser interioridade e para continuar a sê-lo. E isto (interioridade que se oferece para continuar a ser interioridade, sem a anular) é a definição de intimidade.” 

 - María Zambrano, A Metáfora do Coração e outros escritos.

sábado, 24 de novembro de 2012

Era um pôr de Sol cereja e sereno

"Estou cada vez mais novo e por isso ando cada dia mais astuto. Aqui lhes digo, a voceses, aqui sentados os três: ele há ventos e ele há ventos. A segunda categoria é a mais possante e são eles que nos levam."

A Noite e o Riso, Nuno Bragança

domingo, 7 de outubro de 2012

Um homem tem que viver.

Um homem tem que viver.
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.

Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.

Cheio de luz – como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio dos mistérios e imprecisões.
Engolirá fogo.

Palavra, um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.


Fernando Assis Pacheco, A Musa Irregular

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Diz que é uma espécie de épica - 4



33.

De que armas disporemos, senão destas
Que estão dentro do corpo: o pensamento,
A ideia de pólis, resgatada
De um grande abuso, uma noção de casa
E de hospitalidade e de barulho
Atrás do qual vem o poema, atrás
Do qual virá a colecção dos feitos
E defeitos humanos, um início.


Hélia Correia, A Terceira Miséria

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A vontade que tenho é de sublinhar tudo

"A grande dignidade da vida e do jornalismo está em ter a consciência plena de que aquilo acaba a embrulhar peixe, mas fazê-lo o melhor possível em cada momento. Fazer o mais honesto, empenhar-se ao máximo, sabendo que é completamente irrelevante. É essa a grandeza do ser humano."

‎"A minha mulher é fantástica, deve ser a única pessoa que nunca escreveu um poema na vida, nunca tentou escrever “alma” a rimar com “calma” e “água” com “mágoa” e apesar de não gostar de poesia faz-me uma espécie de edição. Às vezes escrevo um poema e ela diz-me o que acha, e normalmente tem razão."

"E eu sou uma pessoa que atira as mãos para a frente. O meu cepticismo é mais em relação ao ser humano e sobretudo em relação a todos os tipos de optimismo. Às vezes inverto aquela máxima e digo que o optimista é um pessimista mal informado. Eu sujo as mãos, mas faço-o descomprometidamente."

"Já tenho dito que sou um pouco religioso, no sentido mais estritamente literal da palavra."


Uma entrevista superlativa de Manuel António Pina a Nuno Ramos de Almeida aqui.

domingo, 22 de janeiro de 2012

“Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas.”


"Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas."

Fui esta tarde ao TNSJ ver Exactamente Antunes de Jacinto Lucas Pires, a partir de Nome de Guerra de Almada Negreiros. Temos grandes dramaturgos, temos grandes encenadores, temos grandes actores, temos belíssimos teatros e um público cada vez menor. Tenho de ler o Nome de Guerra de Almada Negreiros.

Mais de Jacinto Lucas Pires aqui.
Mais de Almada Negreiros aqui.