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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Papar tudo

Um museu de Lisboa, para mim o melhor e mais bonito (é o que fica às janelas verdes, pois...) posta uma imagem da Anunciação com a correspondente frase latina de quase todos conhecida e recorre à tradução da Bíblia Grega, de Frederico Lourenço, académico que estudo, estimo e admiro por todas as razões, para dar a conhecer aquela frase aos gentios. Foi ontem, o dia em que o Cristiano Ronaldo marcou o golo que a Juventus aplaudiu.

Trocando por miúdos: uma pessoa está no restaurante e trazem-lhe o mais delicioso bacalhau espiritual, garantindo que é a mais deliciosa carne de porco à alentejana. (Pratos escolhidos por mim ao acaso, mas que estão no topo das minhas predilecções gastronómicas.) São ambos pratos excelentes, mas um não é o outro. Não pode ser. Os sabores são tão diferentes quanto os diferentes ingredientes, tempos e modos de preparação. Não importa quão esmerada tenha sido a confecção, não importa o currículo do chefe, nem sequer importa que tudo seja comida, tudo se digira, assimile e desassimile. Que diria se isto lhe acontecesse num restaurante? Eu, de mim para mim, digo you should have known better, por que não viste o jogo do Cristiano?

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Sublinhados

A decadência da cidade, da qual a turistificação é mais uma consequência do que uma causa, encontra as suas raízes na moderna despolitização (que se tornou um lugar-comum da teoria política desde Carl Schmitt). Como disse uma vez Giorgio Agamben numa entrevista, para superar a decadência da cidade seria necessária uma nova forma de vida que encontrasse ao mesmo tempo a capacidade de habitar e a vida política.
António Guerreiro, hoje no Público.

A decadência da espécie, aqui.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A cidade universal

Há um processo de monumentalização levado a cabo pelo turismo e acabamos por olhar a nossa própria cidade com os olhos do turista que a monumentaliza, tal como o alentejano que voltava as costas ao mar e à paisagem que era para ele completamente hostil fala hoje encantado, usando uma designação inventada há algumas décadas pelo turismo, do seu “litoral alentejano”. A crítica do turismo baseada nos direitos dos autóctones vai perder em breve o seu fundamento. A razão do autóctone vai dissolver-se no turismo total.
António Guerreiro, hoje no Ípsilon.