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sábado, 14 de abril de 2018

A morte da cidade

Vê-se a morte da cidade no despovoamento; vê-se a morte da cidade na museificação que a torna terra de ninguém para o turismo; vê-se a morte da cidade na sua perda de memória, que é uma crise na relação com o passado; vê-se a morte da cidade quando ela fica inteiramente voltada para a inércia patrimonial dos “bens culturais” (esvaziados de todo o significado histórico) e perdeu completamente de vista o sentido da palavra “habitar”; vê-se a morte da cidade quando ela se sujeitou à homogeneização e ficou conforme a um modelo global, que se repete em todas as cidades europeias (...).
António Guerreiro, A morte da cidade, aqui

sábado, 20 de maio de 2017

Viver na cidade

Manhã de Sábado é manhã de sossego, pequeno-almoço no café porque tudo me custa e é mais moroso e lento e sossegado ao Sábado e, de vez em quando, permito-me dispor do Sábado ao meu ritmo. Excepto se houver turistas no café. Como é que os turistas chegaram à praça? Inventem-me, por favor, um Baygon turistas e rastejantes.
No café. O dono, em extâse ante o imenso pedido, acicata o empregado para ser mais rápido, dizer tudo logo, pôr de imediato na conta, dar o cartão, não confundir a mesa, antecipar-se, aviar-aviar-aviar, ser sobre-humano. Entre uma leva e outra de omeletes, pães, queques, abatanados, galões, cafés, sumos de laranja, o empregado atende as outras pessoas, eu e as velhotas do costume. 
Do lado de dentro do balcão, o dono tudo avia aos berros. E mal. A minha meia torrada veio seca, fria, com meio quilo de manteiga, muito cúbico e muito sólido, para eu barrar - suponho. O problema é só este. Viver hoje, em certas cidades deste país, é ser de segunda.