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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Amizades comuns

O que habitualmente chamamos amigos e amizades não são senão conhecimentos e familiaridades contraídos quer por alguma circunstância fortuita, quer por um qualquer interesse, por meio dos quais as nossas almas se mantêm em contacto. Na amizade de que falo, as almas mesclam-se e fundem-se uma na noutra em união tão absoluta que elas apagam a sutura que as juntou, de sorte a não mais a encontrarem. Se me intimam a dizer porque o amava, sinto que só o posso exprimir respondendo: «Porque era ele; porque era eu». 

(...) 

Não me venham meter ao mesmo nível essoutras amizades comuns! Conheço-as tão bem como qualquer outro, e até algumas das mais perfeitas do género, mas não aconselho ninguém a confundir as suas regras: laboraria num erro. Em tais amizades deve-se andar de rédeas na mão, com prudência e cautela - o nó não está atado de maneira que, acerca dele, não se tenha de nutrir alguma desconfiança. «Amai o vosso amigo», dizia Quílon, «como se algum dia tiverdes que o odiar; odiai-o como se tiverdes que o amar.» Este preceito, tão abominável se aplicado à soberana e superna amizade, é salutar a respeito das amizades comuns e habituais, em relação às quais se deve empregar este dito tão ao gosto de Aristóteles: «Ó amigos meus, não há nenhum amigo!» 


 Michel de Montaigne, Ensaios

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Um dois três, diga lá outra vez:


Tenho a certeza que se as pessoas retratadas nesta reportagem são notáveis nas suas actividades actuais isso também se deve à formação anterior, aos conhecimentos e às experiências que adquiriram no tempo da Faculdade e das primeiras incursões no mundo do trabalho.

No outro dia fui a uma florista. Queria um ramo simples mas bonito, original. A rapariga que me atendeu escolheu ouvir apenas a primeira parte do meu pedido e apressou-se a juntar verdes à rosa, simples, foi o que disse, certo? Insisti, mas não mais do que uma vez, percebi que era por clara incapacidade que se escudava no primeiro adjectivo que me saiu.

Ser original, ter arte, é ter conhecimentos específicos e não específicos, é ter vivências, é ter vida e mundo. E nisso a Universidade, o irmos para fora, lermos coisas, fazermos coisas, conhecermos pessoas, ainda é importante. Os EUA já perceberam isso há tanto tempo, mas a nós por cá convém que a Universidade seja elitista, ao invés de eclética, sectária e específica, ao invés de universitária, verdadeiramente universitária...


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Um dois três, diga lá outra vez:

Prejudicar a aprendizagem (da insolência, da indisciplina, da má fé, da distracção), não prejudica, certamente. Mas prejudica o processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos programáticos. Ensino. Ensino que é verbo, ensino que é profissão, ensino que é o dia-a-dia de milhares de pessoas neste país, ensino que é ministério, verdadeiro, para algumas dessas pessoas. Ensino que merecia um Ministério à séria. Educação é outra coisa .