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quinta-feira, 19 de julho de 2018

O perigo do pensamento único

The act of ‘joining up’ to an absolute ideology involves a kind of winnowing. It happens when someone begins to see the world through the lens of a single story. Friction with a teacher at school, or a struggle to find work, or a neighbourhood becoming more culturally mixed, or casual racism begin to seem like facets of one simple problem. And simple problems offer the alluring prospect of simple, radical solutions.  
 (...)  
When Arendt argued that loneliness was the common ground of terror, she was not thinking of individual acts of terrorism perpetrated by those on the margins – but of the terror of authoritarian ideologies and governments being slowly embraced by society’s dominant majority. The ideal subject of these governments, she argued, was not a convinced extremist but simply an isolated individual, too insecure in himself to truly think: someone for whom the distinction between true and false was beginning to blur, and the promise of a movement was beginning to beckon.
Pais, professores, educadores, lede Nabellah Jaffer, In extremis.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Remoo

Digo que a minha fome desse tempo nasceu no estômago, no centro de mim, mas nunca saberei ao certo de onde veio. Comprimia-o, pontapeava-o. Era uma dor que não matava, tal como a saudade de alguém que nos morre. Engolia os alimentos depressa sem os mastigar. Sentia-lhes o delicioso paladar rápido, e o torrão sólido caía no estômago começando a enchê-lo como a um saco de batatas, tubérculo a tubérculo. O monstro da fome é um grande amigo quando está saciado. Sinto-me consolada. Se não, vai-me espetando no estômago o seu ferrão, para que não me esqueça. Não esqueço. Acalma-te, fome, eis as tuas oferendas! Pão com marmelada. Pão com manteiga. Pão com chouriço. Teria preferido sentir fome nos pulmões para saciá-los com grandes golfadas de ar. Ou no coração, para correr e acelerar a pulsação. Calhou-me o monstro multicéfalo da fome no interior do estômago, ligado ao cérebro. É como se tivesse cogumelos a crescer no interior escuro e húmido do meu corpo. Esporos de fome semeados pela criação. Se tivesse sido logo o que vim cá ser, viveria em paz com o monstro e dormiria com ele, como com um cão. Medito. Remoo. Maldigo. Eu ainda não sou o que vim cá ser. E o que é isso que me espera?
Isabela Figueiredo, A Gorda.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Coisas da vida

Respondi-lhe pouco depois, como sempre fazia, agradecendo a lembrança mas declinando o convite. Atualizei a minha morada e número de telefone, por solicitação sua, mas já não pertencia ao seu mundo nem ela ao meu. Era-me estranha. Não tinha saudades nem alimentava curiosidade sobre aquilo em que se tornara. Passara-me tudo, completamente. Não previ que, a partir do momento em que lhe facultasse os meus contactos, pudesse recomeçar a ser alvo da sua constante solicitação, sobretudo via telefone. Não tinha vontade de a ouvir falar sobre o que não me interessava e não havia nada que desejasse contar-lhe. Como é que a Tony não compreendia, nem que fosse pelas minhas pausas e silêncios telefónicos, que tínhamos desenvolvido interesses e vidas completamente diferentes?! Que estávamos acabadas uma para a outra?! Pus a mamã a atender, alegando que eu não estava em casa. Foi fácil. A mamã não viu na minha atitude nada de estranho, porque não acreditava em amigas.
A Tony tentou a via da correspondência. Passei a receber cartas pejadas de informação e fotos tiradas aqui e ali, sempre maravilhosa. Continuava a querer incluir-me na sua vida à força. Eu ia lendo as cartas de viés, respondendo pouco e mal ou ignorando. A certa altura deixei de responder. Não estava para fazer mais fretes.
Isabela Figueiredo, A Gorda.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Já dizia a minha avó

Não se pode amar dois senhores a um tempo.

[Na minha casa isso sempre quis dizer que na nossa vida certas coisas são incompatíveis com outras coisas.]