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quarta-feira, 28 de março de 2012

A Aula de Música

A Aula de Música, Johannes Vermeer (cc. 1662-65)

Não é de agora, mas é recente. Dantes a minha irmã dizia que, enquanto pudesse, pudesse ela, pudessem os alunos, manteria as aulas fora de casa. Nunca percebi muito bem, sempre achei que professor de música que se preze, antes e depois das outras aulas, dos ensaios, dos concertos, das audições, das gravações, dá aulas em casa. 
Depois, os alunos foram aparecendo, o horário foi-se esticando, o tempo tornando-se cada vez escasso, e, precisamente pela sua falta, sem possibilidade de ser ubíqua e lesta, a minha irmã cedeu à prerrogativa inicial e as aulas de três alunos passaram a ser cá em casa. As manhãs de Sábado, por exemplo, são geralmente penosas, mas as da Quinta são uma delícia. Neste momento, está a ter aula a aluna da Quinta de manhã. A aluna é maior, a segunda mais velha aluna da minha irmã. Os dois alunos mais velhos da minha irmã são os seus melhores alunos. As músicas que trabalham são mais difíceis que as dos restantes, o som que conseguem extrair do instrumento mais apurado. E mais vivo, mais dorido e mais bonito. 

Um dia volto à música. Pensamento de Quinta-Feira, todas as Quintas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Nanny during the day, giantess in the Music Hall at nigh

Imagem daqui

Pouco se conhece da vida de Abomah. Apesar da unanimidade do epíteto gigante que a terá inclusivamente levado a conhecer meio mundo, a grande maioria das fontes periclitam na asserção do seu sobrenome, da sua nacionalidade e até da sua altura. O que me encanta nesta mulher, reproduzi-o no título deste post - "Ama de dia, artista de Music Hall à noite" - é a sua vida na assimetria que a fotografia nos revela. A altura extraodinária da mulher e o tamanho da criança que pende dela como um acessório, a maior força e a maior fragilidade, o negro muito negro, mas rico, da indumentária de uma, o branco simples, sóbrio, das roupas da outra, as cores da pele consonantes com as do vestuário, o olhar cansado e habituado da mulher, o voyeurismo de uma traseunte no fundo da rua. Estamos em Londres, em 1914, assim que deixar a criança em casa, entregue a outros cuidados, Abomah, acaso tivessem ambos  tido a possibilidade de se conhecerem, provavelmente enriqueceria o pensamento de Baudelaire que escreveu: "Mas o fim de tarde chegou. É a hora estranha e duvidosa em que as cortinas do céu se fecham, em que as cidades se iluminam."