segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Young Girl Reading (1868), Jean-Baptiste Camille Corot


Também conheço bem este tipo de apoio à leitura, concentração e atenção ao pormenor.

"Não há nada como a juventude."



Pese muito embora o facto de as televisões só terem agora descoberto o filão sensacionalista que constitui a morte solitária dos nossos idosos, e dessa forma toldarem a nossa percepção do fenómeno, o abandono e esquecimento a que no nosso país tem sido votada a terceira idade é uma realidade social de há várias décadas. Não temos tempo para os nossos filhos, deixamo-los nas escolas, os professores que os eduquem que é para isso que pagamos impostos; não temos tempo para os nossos pais, deixamo-los nas suas casas no interior, esquecemo-nos da deserção, da nossa própria deserção desse espaço; deixamo-los nos lares, na cidade não temos espaço, na cidade não há tempo. Deixamo-los - é um facto.

Este filme esteve em meia dúzia de cinemas durante muito pouco tempo. De resto, não fosse ter visto uma publicidade ao mesmo num dos programas da manhã, também me teria passado despercebido. Na realidade, nunca cheguei a ir vê-lo ao cinema, mas comprei-o há tempos na FNAC - encontrou-o o meu namorado primeiro que eu até na secção dos documentários, a minha predilecta. Vale a pena procurar e ver. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os bons e os maus

Peter Stackpole, Ingrid Bergman Smoking

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só para mim
Anda o mundo concertado.


Luís de Camões

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Justinho você

Hamadríades na Aurora

Imagem daqui

Não conhecia o pintor Vitoriano Alexander Abdo nem tão pouco as hamadríades. Para falar a verdade, o que me prendeu neste quadro foi a ambiência mística e maravilhosa desta floresta - lembrei-me até das fadas que habitam a vida de Hélia Correia - e o meu amor de sempre por árvores. As hamadríades são, de acordo com a mitologia, as divindades das árvores. Nascem com elas, com elas partilham a vida e o destino - enlutam-se quando elas perdem as folhas, regozijam-se quando florescem - e têm o dever único de, ao longo desse percurso milenar que pode ser a vida de uma árvore, a proteger. Suspeito que Alejandro Casona conhecia bem este mundo mágico.

Nara Leão (1942 - 1989)

Imagem daqui

Ela tinha algo de poeta. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

An angel with a serious face

Imagem daqui

Chama-se Retrato de Uma Mulher de Chapéu (1917), mas segue-se normalmente de uma explicação ulterior - Jeanne Hébuterne com Chapéu de Abas Grandes - quanto a mim completamente desnecessária. Vejo Jeanne em toda a obra de Amedeo: no indicador suspenso, na cabeça reclinada, no braço pousado, nos homens, nas mulheres; em tudo, quando ela está e quando ela não está lá. Jeanne Hébuterne foi efectivamente a grande musa de Amedeo Modigliani. Provavelmente a pensar nela, e nas vicissitudes da vida boémia e precária com que se debatiam ambos na Paris dos anos 20, o pintor terá escrito: "A felicidade é um anjo de semblante sério."