segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Au milieu de l'hiver*

«[…] A árvore seca ergue ramo novo. / É agora a verdadeira árvore / o ramo, a árvore consentida pela morte da árvore / – vê / como vive no brilho simulado da lua / contorno impreciso, vê / o temor e o prazer de estar viva ainda »

João Miguel Fernandes Jorge, Lagoeiros







* Albert Camus

František Dvořák (1862-1927): 'Thoughtful Reader'

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A vontade que tenho é de sublinhar tudo

"A grande dignidade da vida e do jornalismo está em ter a consciência plena de que aquilo acaba a embrulhar peixe, mas fazê-lo o melhor possível em cada momento. Fazer o mais honesto, empenhar-se ao máximo, sabendo que é completamente irrelevante. É essa a grandeza do ser humano."

‎"A minha mulher é fantástica, deve ser a única pessoa que nunca escreveu um poema na vida, nunca tentou escrever “alma” a rimar com “calma” e “água” com “mágoa” e apesar de não gostar de poesia faz-me uma espécie de edição. Às vezes escrevo um poema e ela diz-me o que acha, e normalmente tem razão."

"E eu sou uma pessoa que atira as mãos para a frente. O meu cepticismo é mais em relação ao ser humano e sobretudo em relação a todos os tipos de optimismo. Às vezes inverto aquela máxima e digo que o optimista é um pessimista mal informado. Eu sujo as mãos, mas faço-o descomprometidamente."

"Já tenho dito que sou um pouco religioso, no sentido mais estritamente literal da palavra."


Uma entrevista superlativa de Manuel António Pina a Nuno Ramos de Almeida aqui.

Desta manhã bonita em que trabalho - 1



Já me tinha esquecido que ao sábado de manhã bem cedo é assim na minha rua no Porto. Mas também era assim na minha rua em Lisboa. É no que dá preferir sempre ir morar para os já poucos lugares castiços dos centros urbanos. Qualidade de vida é isto e os passarinhos que abrem agora a segunda parte do concerto.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Desta Primavera

Carolus-Duran, Retrato de Anna Obolenskaya, 1887

"Os seus vestidos pretos fechados/ no armário lançam uma sombra/ funesta nos meus dias." Pois que passei todo o dia a pensar num certo vestido vermelho. Coisas desta primavera antecipada lá fora e cá dentro.