quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Do dia (no Norte da Europa) - 16


Ano bissexto para mim é ano nefasto. No entanto, a ideia de acrescentarmos um dia ao mês de Fevereiro para dessa forma nos aproximarmos mais rápido do Sol me encanta por razões de carácter mais poético ou místico do que prático. Outro facto curioso acerca do dia de hoje, 29 de Fevereiro, tão esporádico, é a tradição do norte da Europa de permitir às mulheres pedirem, neste dia e só neste dia, o amado em casamento. A tradição terá nascido no século V nas ilhas britânicas, mais precisamente na Irlanda, onde São Patrício, ou Santa Brígida, não se sabe bem, teriam dado início à prática que se tornou costume atestado no século XIX. É claro que nem sempre o amado correspondia à "requerente" na afeição, pelo que esta autorização quadrienal, além do carácter cómico com que hoje a encaramos, causava também, não raro, dissabores a algumas famílias, chegando ao ponto de a monarca Margarida da Escócia estipular que em caso de negação do pedido, a "requerente" deveria ser ressarcida desse duro golpe mediante um pagamento que poderia ir de um beijo a uma quantia em dinheiro ou até a um vestido de seda. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Boas descobertas, viagens culturais, de sonho, etc.

Katia reading (2009), Hisaji Hara (1939 - ) a partir do quadro homónimo de Balthus.

Hisaji Hara, uma entre muitas boas razões para ir a Londres.

Da sabedoria

Pallas Athena (1664), Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606 - 1669) 
"O verdadeiro sábio é aquele que assim se dispõe que os acontecimentos exteriores o alterem minimamente.
Para isso precisa couraçar-se cercando-se de realidades mais próximas de si do que os factos, e através das quais os factos, alterados para de acordo com elas, lhe chegam."

Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1982. - 418.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Liz Taylor (27 de fevereiro de 1932 - 2011)

J.R. Eyerman - Time & Life Pictures/Getty Images Unpublished

Lenda de Hollywood, beleza clássica, beleza pura, beleza rara. Elizabeth Taylor fica para a história como figura marcante de uma época. A fotografia é de 1947, teria a actriz 15 anos. 

OH AS CASAS AS CASAS AS CASAS

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

Ruy Belo, Homem de Palavra[s], 1969

Ainda de ontem - 3