domingo, 11 de março de 2012

Da minha infância

A minha infância é a minha avó a dar-me a comida à boca, passeando-me pelo quintal. A minha avó tinha um quintal imenso com centenas de avencas e fetos. E a comida ia.

sábado, 10 de março de 2012

Max Aub no Porto



É hoje. É no Gato Vadio (Gato Vadio: Rua do Rosário, 281, Porto). "Crimes Exemplares", de Max Aub, lidos por Osvaldo Manuel Silvestre e Rui Manuel Amaral, pelas 17h00. A menina recomenda.

Não percam!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher

Anjo (1998), Paula Rego (1935 - ) 
Não é de agora a desigualdade laboral entre homens e mulheres. Em 1857, um grupo de operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque, que ganhava um terço do salário dos seus colegas homens, convocaram uma greve para reivindicarem a redução do dia de trabalho de 16 para 10 horas. Em resposta à luta, foram trancadas na fábrica e queimadas vivas. 130 morreram. Enquanto dia político, de chamada de atenção para os direitos inalienáveis das mulheres, este dia celebrou-se como Dia Nacional, por iniciativa do Partido Socialista da América, a 28 de Fevereiro de 1909 em Nova Iorque. Mas seria apenas no ano seguinte, em Copenhaga, no encontro da Internacional Socialista, que um Dia da Mulher, de carácter internacional, mas sem data fixa, foi determinado e estabelecido com a finalidade de honrar o(s) movimento(s) pelos direitos da mulher e simultaneamente arranjar apoios para que aquela pudesse ter direito de voto.

Ao longo da história, este dia tem servido de base a vários protestos, pelo que ainda hoje é válida a promoção de uma participação equalitária dos dois géneros no desenvolvimento sustentável, na construção da paz e na luta pelo respeito dos direitos humanos, etc.

Pensamos na mulher assim, há quem a considere assim, entra-nos, mais do que devia, em casa, à hora do jantar, assim, assim e assim. E, vinte segundos depois, assim. A imagem clássica é a modos que assim ou assim e (quase) ninguém sabe o sofrimento e a vida dura de alguém assim. Há caminho feito, é certo, mas o caminho é longo e os andadores são poucos.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Morrer só o estritamente necessário


Em seu artigo publicado no jornal Il Foglio Quotidiano (ano XVII, n. 29, pag. 2), na sexta-feira posterior à morte da autora, o crítico italiano Alfonso Berardinelli fala em “ceticismo produtivo”, citando a própria poeta, em sua declaração de que “O poeta moderno é cético e desconfiado”, segundo ela, “também – e talvez, sobretudo – nos confrontos consigo mesmo”. Mas se este ceticismo e desconfiança em relação ao poeta e à poesia no mundo contemporâneo levavam-na a uma textualidade de hesitações diante do que anteriormente, entre os poetas românticos, por exemplo, seria visto como a busca de verdades ou o que mais se aproximasse destas, Wisława Szymborska nunca temeu buscar no mundo e suas ocorrências e catástrofes uma espécie de parâmetro ou balança moral e ética que, ao mesmo tempo, parece ligá-la justamente àqueles poetas românticos que viam na natureza uma manifestação do divino. Cética, sim, mas nascida em um país tão marcado pela cultura judaico-cristã como o é a Polônia, a estes parâmetros e verdade intuídos no que chamaríamos de leis (tão pouco misericordiosas) da natureza, e aí reside talvez sua diferença em relação aos poetas românticos que a precederam, como Blake ou Keats, a busca por conhecimento na poesia da polonesa parece operar-se entre o que se aprende com a natureza e o que se desaprende com a História. Em seu trabalho, conhecimento e sabedoria não parecem ser operações de adição ou acumulativas. Pelo contrário, a poeta parece dizer que é por subtração de certezas que chegamos a algumas verdades talvez ligeiramente menos instáveis. Seu poema sobre a estratégia da holotúria diante de seus predadores parece-me bastante emblemático neste aspecto. Se cedo ou tarde a existência há-de devorar-nos, Szymborska sugere que colaboremos com o que tanto tememos justamente para postergá-lo. Parece-me um pensamento de grande coragem, de uma tenacidade ética gigantesca. Em seu discurso On courage and resistance, quando recebeu o Prêmio Oscar Romero, a escritora norte-americana Susan Sontag (1933 – 2004) — outra escritora tão apaixonada pela fortitude ética — escreveu: “Nós somos carne. Nós podemos ser perfurados por uma baioneta, feitos em pedaços por um homem-bomba. Podemos ser esmagados por uma escavadeira, fuzilados dentro de uma catedral.”


O Elogio de Szymborska por Ricardo Domeneck. Um texto precioso. A ler na íntegra aqui.

terça-feira, 6 de março de 2012

Maria Helena Vieira da Silva (1908 - 6 de Março de 1992)



A primeira vez que fui à Cinemateca foi por causa deste filme, por causa dela, do seu imenso talento, da sua generosidade extraordinária. Hoje é para mim importante recordá-la. Agora que o célebre "Para nascer, Portugal; para morrer, o Mundo." de António Vieira anda na boca de todos os políticos, opinion makers e afins vale a pena pensarmos no quanto sempre fomos capazes de receber o outro, but not our own.

domingo, 4 de março de 2012

A Vida É Um Sopro, Oscar Niemeyer



(...)
Isso aqui não me serve
Não me serve de nada
A decisão tá tomada
Ninguém vai me deter.

Que se foda o trabalho
Esse mundo de merda
É aí no Brasil
Que eu quero viver.


(Eu também, às vezes.)