quarta-feira, 17 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
Erik Satie e eu
«Satie comprava um guarda-chuva por dia» - informa Cocteau. De facto, tornou-se lendária a paixão de Satie pelos guarda-chuvas, correndo logo a comprar (mais) um mal recebia algum dinheiro. Helène Jourdan-Morhange: «O guarda-chuva de Satie fazia parte dele próprio. Falava deles a tempo inteiro, perdia-os reencontrava-os. Viram-no, certo dia de tempestade, invectivando os céus e protegendo o guarda-chuva sob o sobretudo.» Poulenc: «À data do falecimento, encontraram no seu quarto uma centena de guarda-chuvas, alguns deles envolvidos ainda no respectivo invólucro.»
Nota de rodapé, p. 38, de Escritos em forma de grafonola, de Erik Satie. Aqui.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
Um homem tem que viver.
Um homem tem que viver.
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.
Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.
Cheio de luz – como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio dos mistérios e imprecisões.
Engolirá fogo.
Palavra, um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.
Fernando Assis Pacheco, A Musa Irregular
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.
Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.
Cheio de luz – como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio dos mistérios e imprecisões.
Engolirá fogo.
Palavra, um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.
Fernando Assis Pacheco, A Musa Irregular
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
É o marketing, estúpido!
Há dias em que descemos uns furinhos abaixo da nossa condição. Andamos, de resto, a descer vertiginosamente nessa escala desde que entrámos (segundo o discurso oficial) ou estamos (na minha óptica) nesta crise cinematográfica à espera de um super-herói que nos salve sebastianamente. Esquecemo-nos todos, eu apenas de vez em quando, que não há super-herói que nos salve porque D. Sebastião morreu longe e quem por cá anda tem filhos em que pensar.
Hoje foi um desses dias. Já se falava há algum tempo do rapaz-procura-rapariga, meio a medo de errar na aposta de que marca se trataria, meio crentes no romantismo antigo mas sempre novo nos cartazes, nas faixas, nas redes sociais, nos media. Chama-se marketing de guerrilha, li há pouco. E assassinou o amor. É verdade. A realidade muda cada vez mais rápido, e aquilo que um dos mais ilustres filósofos franceses escrevia há um par de anos - que actualmente restava ao homem o deus do amor, que se tinha deixado de acreditar em tudo, excepto no amor - deixou de se verificar.
O amor tem três mil anos. Foram as civilizações euro-asiáticas que o descobriram no primeiro milénio antes de Cristo. As religiões antigas não falavam de amor, foi o budismo o primeiro a apresentar a linguagem do amor e mais tarde o cristianismo a trazê-la para o Ocidente. O Romantismo deu-nos a possibilidade de o individualizarmos e, quanto mais não seja por isso, se não estamos todos obrigados a conhecê-lo, temos pelo menos dados culturais para o sentir.
Mas as pessoas não gostam de deuses e pelam-se por vandalizar o sagrado. Afirmam não sei quê, não sei quanto de si. Só assim se percebe que uma empresa internacional pegue na sede de esperança, o quarto canal chama-lhe entretenimento, de uma sociedade do Sul da Europa para lhe impingir um perfume feio ao nível do design, feio conceptualmente e feio publicitariamente. Na realidade, faz sentido vender o feio pelo feio. Na realidade, não faz senão sentido.
E só os tolos como eu é que vêem nisto uma pequena derrota, mais uma.
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