Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
prendem-me pequeninas coisas,
livros, coisas escritas, a tua mente, uma fotografia.
Amo-te devagar e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo.
Regresso devagar a tua casa,
abro um livro, e as tuas artes, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina, Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
A winding road
domingo, 14 de outubro de 2012
Erik Satie e eu
«Satie comprava um guarda-chuva por dia» - informa Cocteau. De facto, tornou-se lendária a paixão de Satie pelos guarda-chuvas, correndo logo a comprar (mais) um mal recebia algum dinheiro. Helène Jourdan-Morhange: «O guarda-chuva de Satie fazia parte dele próprio. Falava deles a tempo inteiro, perdia-os reencontrava-os. Viram-no, certo dia de tempestade, invectivando os céus e protegendo o guarda-chuva sob o sobretudo.» Poulenc: «À data do falecimento, encontraram no seu quarto uma centena de guarda-chuvas, alguns deles envolvidos ainda no respectivo invólucro.»
Nota de rodapé, p. 38, de Escritos em forma de grafonola, de Erik Satie. Aqui.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
Um homem tem que viver.
Um homem tem que viver.
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.
Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.
Cheio de luz – como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio dos mistérios e imprecisões.
Engolirá fogo.
Palavra, um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.
Fernando Assis Pacheco, A Musa Irregular
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.
Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.
Cheio de luz – como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio dos mistérios e imprecisões.
Engolirá fogo.
Palavra, um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.
Fernando Assis Pacheco, A Musa Irregular
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