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| Safo, Fragmento 16, recuperado numa verdadeira odisseia. |
terça-feira, 29 de agosto de 2017
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
Beyond humans
In Ex Machina, the programmer Caleb is taken to the remote retreat of his boss, the reclusive genius and tech billionaire Nathan. He is initially told he is to be the human component in a Turing Test, with Ava as the subject. After his first meeting with Ava, Caleb remarks to Nathan that in a real Turing Test the subject should be hidden from the tester, whereas Caleb knows from the outset that Ava is a robot. Nathan retorts that: ‘The real test is to show you she is a robot. Then see if you still feel she has consciousness.’ (We might call this the ‘Garland Test’.) As the film progresses and Caleb has more opportunities to observe and interact with Ava, he ceases to see her as a ‘mere machine’. He begins to sympathise with her plight, imprisoned by Nathan and faced with the possibility of ‘termination’ if she fails his test. It’s clear by the end of the film that Caleb’s attitude towards Ava has evolved into the sort we normally reserve for a fellow conscious creature.The arc of Ava and Caleb’s story illustrates the Wittgenstein-inspired approach to consciousness. Caleb arrives at this attitude not by carrying out a scientific investigation of the internal workings of Ava’s brain but by watching her and talking to her. His stance goes deeper than any mere opinion. In the end, he acts decisively on her behalf and at great risk to himself. I do not wish to imply that scientific investigation should not influence the way we come to see another being, especially in more exotic cases. The point is that the study of a mechanism can only complement observation and interaction, not substitute for it. How else could we truly come to see another conscious being as such, other than by inhabiting its world and encountering it for ourselves?
Murray Shanahan, Conscious exotica.
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
domingo, 20 de agosto de 2017
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Pensemos
O FASCÍNIO FÁCIL
(Narrativas que abrem e narrativas que fecham)
Quando uma pessoa está bem, vê o bem e o mal. Quando uma pessoa está mal só vê o mal. Esta é para mim a razão da superioridade moral da felicidade sobre a infelicidade. Vemos melhor quando estamos bem-dispostos. Sabemos que, no horizonte, se anunciam turbulências mas também momentos bons. Isto aplica-se tanto a uma depressão como à paulatina atracção para o ódio aos outros. O ódio não é só estúpido e mau: é também atraente. Fascina, até porque tem uma vantagem: não nos pede muito trabalho, antes pelo contrário, quase só pede que nos abandonemos, nos entreguemos à sua perversa volúpia. Todos temos, desde pequeninos, ataques ocasionais de fúria, e gana de partir coisas. É o que uma pessoa faz no calor duma discussão: parte um prato, um copo, pode até dar um murro. Estes achaques de violência são, repito, normais. Fazem parte da natureza humana. O grave é quando anulam todo o resto da nossa natureza humana, que, felizmente, tem muitas mais cores na paleta. "Odiar" o/a ex- durante uns tempos é chato mas faz parte do processo. Simplesmente, que isso nos consuma, que o veneno nos consuma tudo o mais, que anos depois o ódio e o ressentimento ainda nos dominem é que já rasa o imbecil. Ler livros tem uma vantagem: ajudar-nos a ver o outro. Ler romances serve (a mim pelo menos serviu) para treinar um precioso músculo que precisa de ser usado para não mirrar: a empatia. É graças à empatia que conseguimos sentir uma dor que, literalmente, não é nossa. Os tais versos do Pessoa: «e os que lêem o que sente/na dor lida sentem bem/não as duas que ele teve/mas só a que eles não têm». Todos precisamos de histórias. E todos os dias ouvimos imensas histórias, mais do que nos apercebemos. Algumas nem reconhecemos como tal: as notícias, por exemplo. Quem prepara os noticiários sabe que está a contar histórias. É mesmo, juro, um termo técnico. «What's today story?» Uma publicidade a um carro ou a uma cerveja ou a uma promoção no supermercado. Histórias. Até uma piada seca é uma história: em vez de dizermos «um elefante e um padre entram num bar» podíamos começar com um «era uma vez um padre e um elefante que...» As histórias ajudar-nos a ler o mundo. As histórias longas – como os romances – têm a vantagem de nos levar a acompanhar outros (outras experiências, outras formas de ver/pensar) durante um pedaço mais de tempo. Madame Bovary tem de ser narrada em 300 páginas, só assim o rapaz de 16 anos que eu era pôde entender o ponto de vista daquela mulher. Foi-me muito muito útil. Anna Karenina também. E Orlando. E, de uma forma distinta, as Memórias de Adriano ou A Sibila. Os terroristas e outros supremacistas niilistas também ouvem histórias, só que as que lhes são impingidas ou escolheram ouvir são repetitivas, monocórdicas, deprimentes. Não os despertam para a variedade do mundo, só os antolham mais e mais e cada vez mais de dia para dia. O rapaz (20 anos, provavelmente muito burro) que atropelou pessoas em Charlottesville e o que ontem fez o mesmo em Barcelona ou os assassinos do Bataclan, de Londres, de Nice ficariam talvez surpreendidos ao lhes explicarem que têm muito em comum: falta de empatia, monocultura narrativa (se algo leram é vira o disco e toca o mesmo, uma qualquer fraqueza que os fez ceder à volúpia destruidora. Que o façam pensando que estão a salvar algo de bué-bom (a raça branca, o Islão, as vítimas-do-nosso-lado) só os torna mais patéticos. Pobres diabos. Tristes, pobres, patéticos diabos.
Desses tipos só consigo ter a pena (após o momento de indignação justiceira) que a estupidez merece. Sobretudo a estupidez maldosa – poucas coisas dão tanta pena como a estupidez maldosa. Já os que os manipulam e endoutrinam levo mais a sério.
De um lado, narrativas que abrem. Que nos ajudam a navegar na complexidade do mundo. Do outro, narrativas que fecham. Que nos manipulam e diminuem, em nós, o melhor que a humanidade tem.
O mundo não se reduz a escolhas maniqueístas: «Queres ser carneiro ou lobo?» Para já, ambos podem tornar-se extraordinariamente perigosos. Depois, são apenas espelhos do humano, ilustrações de comportamentos possíveis. Os lobos reais, os carneiros reais, as avestruzes reais, os leões e ursos e abelhas reais não são tidos nem achados. Nós, por enquanto, somos. A má notícia: por enquanto. A boa notícia: temos algumas chances. Mais cedo, ou mais tarde a vida individual desfaz-se em derrota e desapontamento, Mas, até lá, quer enquanto indivíduos, quer enquanto espécie, somos energias renováveis. Nada está perdido.
Post público de Rui Zink no Facebook, reproduzido na íntegra.
quarta-feira, 16 de agosto de 2017
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