domingo, 25 de março de 2018

Contra a concepção instrumental do próximo

Vivemos numa época em que os pecados sociais adquiriram especial relevo e gravidade, porque são os que nos afectam. E o mais grave de todos eles é a transformação dos homens de fins em meios, essa concepção instrumental do próximo que é a coisa mais anticristã que se inventou. Como gostaríamos nós, cristãos, que os senhores pregassem contra ela e deixassem para o confessionário os pecados de alcova, tão monótonos, tão invariáveis, iguais hoje aos que cometia o rei David, nem mais nem menos, e tão frequentes hoje como em qualquer tempo passado! Além disso, são difíceis de evitar pelas leis do mundo, ao passo que os outros, se se criasse uma consciência colectiva adequada, poderiam ser evitados.
Gonzalo Torrente Ballester, Memória de um Inconformista, daqui.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Educação física

Ao cuidado dos senhores parlamentares,
Não se promove o bem-estar e a saúde colocando a disciplina de Educação Física nas que contam para a média de acesso ao Ensino Superior. O bem estar e a saúde são condições que cada um deve implementar na sua vida, nada têm que ver com competências adquiridas em áreas científicas e de estudo. Dizes tu, porque eras um zero à esquerda em Educação física. Certo, e nunca procurei atestados para não cumprir os requisitos da disciplina. E estive em cada aula - foram doze anos de aulas - à mercê de colegas mais competentes na fisicidade. Hoje chamar-se-ia bullying. Não foi, sou demasiado dona do meu nariz para deixar que qualquer comentário de uma dessas pessoas extremamente competitivas dentro de quatro linhas me derrube. Algumas, muitas dessas pessoas não chegam ao ensino superior, as que chegam e têm filhos, por alguma fatalidade do destino, passam depois as nossas reuniões de turma a pedir histrionicamente perdão pelo que disseram e fizeram, coisas de que, em boa verdade, já nos tínhamos esquecido - já disse que sou demasiado dona do meu nariz para ligar a certas coisas? Agradeço imenso à Educação física a educação cívica que me deu. Sou completamente impassível a ataques desnaturados de outrem, quem quer que ele seja. Posto isso, vinte anos depois de ter sido aluna tenho para mim que a Educação física promove a saúde e o bem estar pelo exercício físico, não pela nota e muito menos por uma nota de acesso. Que isto não seja claro para os senhores parlamentares é algo que me põe a pensar que acesso familiar quererá um ou mais do senhores obviar.
Subscrevo-me respeitosamente, mas pouco.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Não surpreende

quem viva neste mundo de olhos e ouvidos bem abertos, com inteligência, um coração sensível. Não surpreende. Mas deveria pôr de sobreaviso quem pode. O tempo, o mundo não voltam atrás, nada voltará ao que era. Não surpreende. A partir de agora tudo será cada vez mais difícil.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Disarming the weapons of massive distraction

Attention is what draws us out of ourselves to experience and engage in the world. The word is often accompanied by a verb—attention needs to be grabbed, captured, mobilized, attracted, or galvanized. Reflected in such language is an acknowledgement of how attention is the essential precursor to action. The founding father of psychology William James provided what is still one of the best working definitions:
It is the taking possession by the mind, in clear and vivid form, of one out of what seem several simultaneously possible objects or trains of thought. Focalization, concentration, of consciousness are of its essence. It implies withdrawal from some things in order to deal effectively with others.
(...) Attention is a complex interaction between memory and perception, in which we continually select what to notice, thus finding the material which correlates in some way with past experience. In this way, patterns develop in the mind. We are always making meaning from the overwhelming raw data.




Chamem-me ludita. O texto de Madeleine Bunting é longo, mas merece toda a atenção.