quinta-feira, 29 de março de 2018

Desde pelo menos Simone Weil

Lady Bird (2017)

Eu e Tu

The inverse of the I-It demands something else. The I-Thou encounter has an inherent egalitarianism that dissolves self-interest. As Buber outlined, in the human realm there is no full escape from the I-It – we also love people for dull, functional reasons; we make selfish use even of our soulmates. But at the core, the I-Thou always demands vulnerability, weakness, a cracking of the hard shell of the egoistic self. Real love, the sort of love people wander through their lives craving, wants above all to distance itself from lust by shedding its preening self-regard. Falling in love is partly the terrifying realisation that you have stepped into reciprocity; that someone is now able to cause you terrible pain. This is the cost, the gamble. As Buber said, love ‘without real outgoing to the other … love remaining with itself – this is called Lucifer’. A love that can’t travel is the love of a narcissist. A life immersed exclusively in the I-It is the life of a sociopath. Extreme examples again, but what Buber does is show that, without conscious vigilance, innocuous moments can tend in such extreme directions. 
Even if indiscriminate love is impossible, it is a glorious and gloriously daunting ideal. 
A life immersed entirely in the I-Thou hardly seems plausible either. If the world didn’t eat you alive for your kindness, you would be condemned to a glazed and useless hippiedom. The fall from innocence to experience is nothing if not the realisation that, in order to survive, you need to learn a little cruelty. But whatever the root of the human predicament, it clearly isn’t too much compassion. Or not enough self-interest. 
Despite these tendencies, Buber argued, it would be better, surely, if we all lived more by the rule of Thou than by the rule of It. This is the understanding that I and Thou so poetically frames. Even if indiscriminate love is impossible, it is a glorious and gloriously daunting ideal. Within a Christian framework, it is precisely the tragedy of mankind that the one person capable of it was tortured to death. Buber, who was unusual among Jewish thinkers in regarding the Jewish Jesus as a spiritual brother, saw this, and revered ‘him who, nailed life-long to the cross of the world, dares that monstrous thing – to love all men.’

M. M. Owen sobre o que importa: a prática, aqui

domingo, 25 de março de 2018

Contra a concepção instrumental do próximo

Vivemos numa época em que os pecados sociais adquiriram especial relevo e gravidade, porque são os que nos afectam. E o mais grave de todos eles é a transformação dos homens de fins em meios, essa concepção instrumental do próximo que é a coisa mais anticristã que se inventou. Como gostaríamos nós, cristãos, que os senhores pregassem contra ela e deixassem para o confessionário os pecados de alcova, tão monótonos, tão invariáveis, iguais hoje aos que cometia o rei David, nem mais nem menos, e tão frequentes hoje como em qualquer tempo passado! Além disso, são difíceis de evitar pelas leis do mundo, ao passo que os outros, se se criasse uma consciência colectiva adequada, poderiam ser evitados.
Gonzalo Torrente Ballester, Memória de um Inconformista, daqui.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Educação física

Ao cuidado dos senhores parlamentares,
Não se promove o bem-estar e a saúde colocando a disciplina de Educação Física nas que contam para a média de acesso ao Ensino Superior. O bem estar e a saúde são condições que cada um deve implementar na sua vida, nada têm que ver com competências adquiridas em áreas científicas e de estudo. Dizes tu, porque eras um zero à esquerda em Educação física. Certo, e nunca procurei atestados para não cumprir os requisitos da disciplina. E estive em cada aula - foram doze anos de aulas - à mercê de colegas mais competentes na fisicidade. Hoje chamar-se-ia bullying. Não foi, sou demasiado dona do meu nariz para deixar que qualquer comentário de uma dessas pessoas extremamente competitivas dentro de quatro linhas me derrube. Algumas, muitas dessas pessoas não chegam ao ensino superior, as que chegam e têm filhos, por alguma fatalidade do destino, passam depois as nossas reuniões de turma a pedir histrionicamente perdão pelo que disseram e fizeram, coisas de que, em boa verdade, já nos tínhamos esquecido - já disse que sou demasiado dona do meu nariz para ligar a certas coisas? Agradeço imenso à Educação física a educação cívica que me deu. Sou completamente impassível a ataques desnaturados de outrem, quem quer que ele seja. Posto isso, vinte anos depois de ter sido aluna tenho para mim que a Educação física promove a saúde e o bem estar pelo exercício físico, não pela nota e muito menos por uma nota de acesso. Que isto não seja claro para os senhores parlamentares é algo que me põe a pensar que acesso familiar quererá um ou mais do senhores obviar.
Subscrevo-me respeitosamente, mas pouco.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Não surpreende

quem viva neste mundo de olhos e ouvidos bem abertos, com inteligência, um coração sensível. Não surpreende. Mas deveria pôr de sobreaviso quem pode. O tempo, o mundo não voltam atrás, nada voltará ao que era. Não surpreende. A partir de agora tudo será cada vez mais difícil.