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sexta-feira, 21 de março de 2014
quinta-feira, 21 de março de 2013
Poetry
I,
too, dislike it: there are things that are important beyond all
this
fiddle.
Reading
it, however, with a perfect contempt for it, one
discovers
in
it
after all, a place for the genuine.
Hands
that can grasp, eyes
that
can dilate, hair that can rise
if
it must, these things are important not because a
high-sounding
interpretation can be put upon them but because
they
are
useful.
When they become so derivative as to become
unintelligible,
the
same thing may be said for all of us, that we
do
not admire what
we
cannot understand: the bat
holding
on upside down or in quest of something to
eat,
elephants pushing, a wild horse taking a roll, a tireless wolf
under
a
tree, the immovable critic twitching his skin like a horse that
feels
a
flea,
the base-
ball
fan, the statistician--
nor
is it valid
to
discriminate against 'business documents and
school-books';
all these phenomena are important. One must
make
a distinction
however:
when dragged into prominence by half poets, the
result
is not poetry,
nor
till the poets among us can be
'literalists
of
the
imagination'--above
insolence
and triviality and can present
for
inspection, 'imaginary gardens with real toads in them', shall
we
have
it.
In the meantime, if you demand on the one hand,
the
raw material of poetry in
all
its rawness and
that
which is on the other hand
genuine, you are interested in poetry.
Marianne Moore
Marianne Moore
quarta-feira, 21 de março de 2012
Do dia - 21
A Forma Justa
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Nome das Coisas
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Nome das Coisas
Do dia - 20
Se tiveres de escolher um reino
escolhe o relento
a noite tem brancura do alabastro
ou mais extraordinária ainda
Ao que vem depois de ti
cede o instante
sem pronunciar
seu nome
José Tolentino Mendonça
O Viajante sem Sono
escolhe o relento
a noite tem brancura do alabastro
ou mais extraordinária ainda
Ao que vem depois de ti
cede o instante
sem pronunciar
seu nome
José Tolentino Mendonça
O Viajante sem Sono
Do dia - 19
Possibilidades
Prefiro o cinema.
Prefiro os gatos.
Prefiro os carvalhos sobre o Warta.
Prefiro Dickens a Dostoievski.
Prefiro-me a gostar das pessoas
que a amar a humanidade.
Prefiro para uma emergência ter agulha e linhas.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não afirmar
que a razão é a culpada de tudo.
Prefiro as excepções.
Prefiro sair mais cedo.
Prefiro falar de outras coisas com os médicos.
Prefiro as velhas ilustrações listradas.
Prefiro o ridículo de escrever poemas
ao ridículo de não os escrever.
Prefiro no amor os pequenos aniversários
para festejar todos os dias.
Prefiro os moralistas que nada me prometem.
Prefiro uma bondade algo prudente
a outra confiante em demasia.
Prefiro a terra à civil.
Prefiro os países conquistados
aos conquistadores.
Prefiro guardar as minhas reservas.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro as fábulas de Grimm às primeiras páginas dos jornais.
Prefiro folhas sem flores às flores sem folhas.
Prefiro os cães sem a cauda cortada.
Prefiro os olhos claros porque os tenho escuros.
Prefiro gavetas.
Prefiro muitas coisas que não menciono aqui
a outras também aqui não mencionadas.
Prefiro os zeros soltos
aos dispostos em fila para o número.
Prefiro o tempo de insectos ao de estrelas.
Prefiro fazer figas.
Prefiro não perguntar se ainda demora e quando é.
Prefiro tomar em consideração a própria possibilidade
de ter a existência o seu sentido.
Wislawa Szymborska
Paisagem com Grão de Areia
Prefiro o cinema.
Prefiro os gatos.
Prefiro os carvalhos sobre o Warta.
Prefiro Dickens a Dostoievski.
Prefiro-me a gostar das pessoas
que a amar a humanidade.
Prefiro para uma emergência ter agulha e linhas.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não afirmar
que a razão é a culpada de tudo.
Prefiro as excepções.
Prefiro sair mais cedo.
Prefiro falar de outras coisas com os médicos.
Prefiro as velhas ilustrações listradas.
Prefiro o ridículo de escrever poemas
ao ridículo de não os escrever.
Prefiro no amor os pequenos aniversários
para festejar todos os dias.
Prefiro os moralistas que nada me prometem.
Prefiro uma bondade algo prudente
a outra confiante em demasia.
Prefiro a terra à civil.
Prefiro os países conquistados
aos conquistadores.
Prefiro guardar as minhas reservas.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro as fábulas de Grimm às primeiras páginas dos jornais.
Prefiro folhas sem flores às flores sem folhas.
Prefiro os cães sem a cauda cortada.
Prefiro os olhos claros porque os tenho escuros.
Prefiro gavetas.
Prefiro muitas coisas que não menciono aqui
a outras também aqui não mencionadas.
Prefiro os zeros soltos
aos dispostos em fila para o número.
Prefiro o tempo de insectos ao de estrelas.
Prefiro fazer figas.
Prefiro não perguntar se ainda demora e quando é.
Prefiro tomar em consideração a própria possibilidade
de ter a existência o seu sentido.
Wislawa Szymborska
Paisagem com Grão de Areia
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