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sábado, 31 de agosto de 2013


Caravaggio, S. Jerónimo no seu Estúdio ou São Jerónimo escrevendo, 1605-06. 

domingo, 11 de novembro de 2012

Do dia - 44


El Greco, St Martin and the Beggar, cc. 1597-99
"While Martin was still a soldier in the Roman army and deployed in Gaul (modern day France), he experienced the vision that became the most-repeated story about his life. One day as he was approaching the gates of the city of Amiens he met a scantily clad beggar. He impulsively cut his own military cloak in half and shared it with the beggar. That night, Martin dreamed of Jesus wearing the half-cloak he had given away. He heard Jesus say to the angels: "Here is Martin, the Roman soldier who is not baptized; he has clad me." (Sulpicius, ch 2). In another story, when Martin woke, his cloak was restored. The dream confirmed Martin in his piety, and he was baptized at the age of 18. He served in the military for another two years until, just before a battle with the Gauls at Borbetomagus (now Worms, Germany) in 336, Martin determined that his faith prohibited him from fighting, saying, "I am a soldier of Christ. I cannot fight." He was charged with cowardice and jailed, but in response to the charge, he volunteered to go unarmed to the front of the troops. His superiors planned to take him up on the offer, but before they could, the invaders sued for peace, the battle never occurred, and Martin was released from military service. Martin declared his vocation, and made his way to the city of Caesarodunum (now Tours), where he became a disciple of Hilary of Poitiers, a chief proponent of Trinitarian Christianity, opposing the Arianism of the Imperial Court. When Hilary was forced into exile from Pictavium (now Poitiers), Martin returned to Italy, converting an Alpine brigand on the way, according to his biographer Sulpicius Severus, and confronting the Devil himself. Returning from Illyria, he was confronted by the Arian archbishop of Milan Auxentius, who expelled him from the city. According to the early sources, he decided to seek shelter on the island then called Gallinaria, now Isola d'Albenga, in the Ligurian Sea, where he lived the solitary life of a hermit."

Mais aqui.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Do dia - 34

O chamamento de São Pedro e Santo André (1308-11), Duccio di Buoninsegna (1255-1319)


"farei de vós pescadores de homens"

«Quando, num momento simbólico, lançou as fundações da sua grande sociedade, Cristo não escolheu para pedra angular o genial Paulo ou o místico João, mas antes um trapalhão, um vaidoso, um cobarde: numa palavra, um homem. E sobre essa pedra edificou a sua Igreja, e as portas do Inferno não prevaleceram sobre ela. Todos os impérios e todos os reinos se desfizeram, devido à intrínseca e constante fraqueza que é terem sido fundados por homens fortes sobre homens fortes. Mas esta coisa única, a histórica Igreja cristã, foi fundada sobre um homem fraco, e por isso é indestrutível. Porque nenhuma corrente é mais forte do que o seu elo mais fraco.» 

 G. K. Chesterton, in 'Heréticos' (citado por Antonio Monda)

domingo, 24 de junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Santo António

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!

Santo António, és portanto
O meu santo, Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.

Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.

Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.

Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.

Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.

Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza,
Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.

(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.

És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.

És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.

És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.

Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim. Porque demónio
É que foram pregar contigo em santo?


Fernando Pessoa: Santo António, São João, São Pedro. Fernando Pessoa. (Organização de Alfredo Margarido.) Lisboa: A Regra do Jogo, 1986.

sábado, 12 de maio de 2012

Do dia - 29


Santa Joana de Aveiro (1452-1490), Nuno Gonçalves (?) (cc. 1475)

A primeira foi antes de eu nascer: após quase dois anos a tentar sem conseguir, a minha mãe achava que já não teria filhos. Foi à Senhora do Monte, no dia da festa - no pico de Agosto - prometer que se viesse a ter um filho. Com o calor, diz ela, nauseava, e tanto que quase não conseguia completar a promessa. Na realidade, dentro dela, eu já  me afirmava senhora do meu nariz e não havia nada que Senhora do Monte pudesse fazer a respeito. 

Depois, foi nos meus dois anos. Dois anos de todas as doenças infantis, dois anos de achaques  que  ninguém nunca teve, dois anos de infecções que só comigo. Aos dois anos, tive uma senhora conjutivite que se veio a complicar ainda após uma consulta médica em que a enfermeira que me tratou dos olhos, utilizou material por desinfectar, viria a saber-se depois. O médico furioso, a querer saber qual das duas enfermeiras, a minha mãe - um bocadinho inconsciente da gravidade da situação - a não querer prejudicar ninguém, o médico a querer bater nas três mulheres, que só por milagre é que eu ia voltar a ver, a minha mãe, ai Jesus!, a apegar-se a Santa Joana de Aveiro, em cujo convento mandou rezar uma série de missas pela minha saúde.

Santa Joana foi a primogénita do rei Afonso V. Como todas as princesas da Idade Média, tinha reputação de muito bela e pia: sempre preferira a oração e o recolhimento aos pretendentes. Quando o rei partiu para o Norte de África, ela tinha dezanove anos e assumiu a regência do reino. Toda a vida fora educada para reinar, porque, até ao nascimento do irmão, era ela a legítima herdeira do trono. Com o regresso do pai e o irmão quase adulto, Joana pede autorização paterna para ir para o convento, a qual lhe foi concedida com a ressalva de não poder proferir votos até o irmão subir efectivamente ao trono e ter descendência legítima que lhe sucedesse. Entrou no convento de Odivelas, passou por Coimbra, morreu pobre no Convento de Jesus em Aveiro. E nunca chegou a professar.

A lenda que envolve a sua morte, que as freiras atribuem à tuberculose e o povo a um envenenamento, maravilhava de qualquer coisa bonita e terror o imaginário infantil nos tempos da ditadura e, depois de a ouvir em pequena ao serão, acabou por me marcar a mim também, quando, já sabendo ler, passava as tardes com os livros da primária da minha mãe. Neles, via-se o féretro de Santa Joana à saída da igreja do convento, transparente como o da Branca de Neve mas todo coberto de flores que caíam, chovendo, do jardim que a Santa Princesa plantara. A natureza desistia de sobreviver àquela que tanto a havia acarinhado. Coisas poderosas, que têm a ver connosco e que se guardam na infância, como um segredo.

Beatificada em 1693 pelo Papa Inocêncio XII, é a 12 de Maio, no dia da morte, que a Igreja a celebra.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Compreender a marcha - 3

Onorio Marinari (1627 - 1715), São Sebastião, século XVII

Mais sobre São Sebastião aqui, sobre a fortuna das suas representações na arte aqui.

Compreender a marcha - 2

Santa Bárbara, mártir, s/d, s/a
Mais sobre Santa Bárbara aqui.