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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

O sonho do Sr. Benedict Farley

Há um episódio de Poirot chamado "O sonho do Sr. Benedict Farley". O Sr. Benedict Farley é um rico empresário e tem um sonho. Está no escritório, o relógio marca a mesma hora todas as noites, doze e dezoito, ele abre a gaveta, vê um revólver. Etc., etc, etc. Poirot pergunta-lhe se já contou isto a outra pessoa. O Sr. Farley exaspera, diz que não são de certeza ideacções suicidas, como lhe declarou o psiquiatra. É o homem mais rico de Londres, tem tudo o que um homem quer. Na verdade, o Sr. Farley consulta Poirot no sentido de saber se o sonho não será produto de um macabro exercício de hipnose, se não o quererão matar assim. O Sr. Farley é assassinado. Mas as imagem iniciais do episódio, as empregadas da fábrica em sentido, o ódio, o Sr. Farley, impante: Espero estar a falar para amigos, afinal eu é que vos pago os salários, nunca vendemos tantas pies como este ano e alguns dentre vós, com motivações políticas certamente, ainda dizem que não estão bem. O presidente da câmara muito graxista a dizer que a cidade e a fábrica têm um vínculo para a vida. A vida do Sr. Farley é abreviada não por um operário, mas por aquela pessoa de confiança que ele, nem por sonhos, podia imaginar que: o mordomo.

Ter pessoas de confiança é tramado. Lembrei-me disto porque estamos em Agosto e a silly season deixou de ser silly para ser coisa pior, mais grave, séria.  Monarcas que antes fugiam à ditadura fogem agora à justiça. Tramados pela pessoa de confiança. E vêm cá parar. E nós gostamos. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Shakespeare dixit

Blow, blow, thou winter wind
Thou art not so unkind
As man's ingratitude;
Thy tooth is not so keen,
Because thou art not seen,
Although thy breath be rude.

Heigh-ho! sing, heigh-ho! unto the green holly:
Most freindship if feigning, most loving mere folly:
Then heigh-ho, the holly!
This life is most jolly.

Freeze, freeze thou bitter sky,
That does not bite so nigh
As benefits forgot:
Though thou the waters warp,
Thy sting is not so sharp
As a friend remembered not.
Heigh-ho! sing, heigh-ho! unto the green holly:
Most friendship is feigning, most loving mere folly:
Then heigh-ho, the holly!
This life is most jolly

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Monday mood (3)

In winter I get up at night
And dress by yellow candle-light.
In summer, quite the other way,
I have to go to bed by day.

I have to go to bed and see
The birds still hopping on the tree,
Or hear the grown-up people's feet 
Still going past me in the street.

And does it not seem hard to you, 
When all the sky is clear and blue,
And I should like so much to play,
To have to go to bed by day?

Robert Louis-Stevenson, "Bed in Summer".

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Era uma vez, a vida - 3

Fundo do mar

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética I.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Os Dias de Verão

Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

Como se em tudo aflorasse eternidade

 Justa é a forma do nosso corpo


Sophia de Mello Breyner Andresen, Dual

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Terraços

enchíamos os terraços de gambiarras
ou armávamos fogueiras enormes na praia
e dançávamos todo o verão
quase sem tempo para mais


 José Tolentino de Mendonça

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sobre Herbert List *

Onda de sol, verso de ouro
perífrase vã. Extasiar-me,
antes, por esta fusão,
mistura de brilhos. Ou, ainda
mais íntima, a consciência
extensa como o céu, o corpo de tudo,
semelhança absoluta. Respirar
na quebra da onda. Na água,
uma braçada lenta
até ao limite de mim.

Fiama Hasse Pais Brandão (1938 - 2002)


Mais aqui. *