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sábado, 6 de março de 2021

A Isabela e eu

[Isabela Figueiredo] viveu este ano e o confinamento muito zangada, com raiva e revolta. "Com vontade de processar o governo português se tivesse dinheiro. Porque estou presa em casa. Porque politicamente tudo isto deveria ter sido gerido de forma a proteger os frágeis, mas deixar a liberdade e a autonomia sob a responsabilidade daqueles que podem ser responsáveis. Ou seja, gostaria de não ser tratada de forma paternalista como tenho sido até agora. Não quero que haja um jornalista na televisão a dizer-me 'tenham noção'. Não quero ser tratada dessa forma nem por jornalistas, Presidentes da República ou primeiro-ministros."

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Monday mood (43)

Fico cheia de uma tristeza negra quando me dou conta de que há jovens adultos que ao lerem um texto mais elaborado - com um vocabulário mais invulgar ou uma estrutura mais apaladada - não percebem rigorosamente nada. Nada. É como se estivessem a ler uma língua estrangeira. Essa incapacidade ser-lhes-á sempre uma desvantagem grande. Eu creio saber onde está a culpa mas não me apetece dizer. Mas fico triste e tenho pensamentos amaríssimos. São gerações que vêm dos domínios da parataxe e das frases começadas por "é assim" e das despedidas terminadas por "boa continuação". Vêm dos pontos de exclamação em barda e dos lugares-comuns. Vêm do kitsch e olham todo o cuidado como um excesso exótico ou um preciosismo que rejeitam. Só eu sei a amargura que isto me dá. 

Ivone Mendes da Silva, O Fulgor Instável das Magnólias

quarta-feira, 21 de março de 2012

Do dia - 20

Se tiveres de escolher um reino
escolhe o relento
a noite tem brancura do alabastro
ou mais extraordinária ainda

Ao que vem depois de ti
cede o instante
sem pronunciar
seu nome


José Tolentino Mendonça
O Viajante sem Sono