terça-feira, 18 de abril de 2017

Do declínio contemporâneo da poesia

There are at least two reasons why the situation of poetry matters to the entire intellectual community. The first involves the role of language in a free society. Poetry is the art of using words charged with their utmost meaning. A society whose intellectual leaders lose the skill to shape, appreciate, and understand the power of language will become the slaves of those who retain it--be they politicians, preachers, copywriters, or newscasters. The public responsibility of poetry has been pointed out repeatedly by modern writers. Even the archsymbolist Stephane Mallarme praised the poet's central mission to "purify the words of the tribe."
De leitura obrigatória, este longo mas brilhante ensaio de Dana Gioia.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Cupido, o ladrão do mel


Albrecht Durer, Cupido, O Ladrão do Mel, 1514
O mito conta que Cupido, deus do amor, corria para a mãe Vénus, tentando - em vão - escapar de um enxame de abelhas que o perseguia desde a colmeia que tentara assaltar. Teócrito, nos Idílios, sublinha que Vénus ria quando disse ao filho: Não és tu como a abelha: tão pequeno e no entanto tão capaz de ferir?

segunda-feira, 10 de abril de 2017

MIMNERMO

CÓLOFON                                            séc.VII-VI a.C

                       Somos como as folhas das árvores...

Quais folhas criadas pela estação florida da primavera,
          quando de súbito crescem sob os raios do Sol
assim somos nós: por um tempo de nada, nos deleita
          a flor da juventude, sem conhecermos o mal ou o bem que vêm
dos deuses. Ao lado estão as Keres tenebrosas,
          uma, detentora da velhice medonha,
a outra, da morte. Pouco dura o fruto da juventude
          - o tempo de o Sol derramar a sua luz sobre a terra-
E depois, logo que chega o fim da estação,
          melhor é morrer logo do que viver,
pois são muitos os males que surgem no nosso coração: ora é a casa
          que cai em ruína, e os efeitos dolorosos da probreza;
outro não tem filhos e, sentindo a sua falta,
          desce ao Hades, debaixo da terra;
outro tem doença que lhe destrói a vida. Não há homem
          a quem Zeus não dê muitos infortúnios.

domingo, 9 de abril de 2017

O tempora, o mora

A vergonha. A geração dos engraçadinhos. Os pais nunca os educaram, nunca lhes disseram "não". Eles são "campeões", elas "princesas". Quando algum professor os tentou meter na linha, foi sempre desautorizado por um desses pais de agora, que têm vaidade na boçalidade dos filhos. Em casa, nunca lhes ensinaram nada. Da escola, nunca aproveitaram nada. Os modelos que idolatram são as cabeças ocas promovidas pela incultura geral. O respeito pelos outros nada lhes diz. Vão a Torremolinos a preços de saldo e devem achar que subiram na vida. Os paizinhos que continuem a chamar-lhes princesas e campeões, a recusar-lhes 20 euros para um livro ou uma gramática mas a darem-lhes telemóveis e consolas de centenas mais "férias" destas. Eu punha-os a todos, papás incluídos, numa colónia penal. E ensinava-os a ler.
O desabafo, que podia ser meu, é de João Veloso, no facebook.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Nós por cá

Herodes, pá, com esse nome realmente não podias ser boa rês. Tenho pena. Vens de um bonito país, cheio de boas pessoas e grandes artistas. Ouvi dizer que estás sem trabalho, mas as pessoas como tu, mesmo sem trabalho, têm sempre uns dinheiritos para férias e tal. Vê se não nos apareces cá um destes verões; é que se não houver caracoleta, há sempre escarreta. E, à boa maneira cá do sul, nem precisas de a pagar.

Mais sério, aqui.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Inteligência artificial

Se o ferro de engomar tiver de ficar confuso, sobreaquecer e comer tecido, será sempre ao passares a tua blusa predilecta.