Mostrando postagens com marcador a vida da menina dava um filme. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador a vida da menina dava um filme. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de julho de 2020

O óbvio

Um casal emigrante vive no andar de baixo. Desde o início, surpreendeu-nos a postura da Mãe e dos Filhos. Nunca dão Bom Dia, Olá, Boa noite. Limitam-se a baixar os olhos. O Pai não. O Pai cumprimenta com naturalidade. O Pai é o único que trabalha, mas os miúdos andam na escola. Os miúdos são pré-adolescentes, mas a Mãe ia levá-los à Escola e trazê-los durante o ano. Iam a pé, pareciam três crianças. Quando vieram para cá, se chegássemos ao mesmo tempo que eles, a Mãe mandava os filhos correr à nossa frente e entrar em casa primeiro. Nunca percebemos porquê. O Pai trabalha de noite e quando volta, às 5.45 da manhã, já eu estou acordada há pelo menos meia hora. Apesar de o dia ainda não ter começado e a nossa rua estar mergulhada no mais perfeito silêncio, a Mãe lida na cozinha com a naturalidade do meio-dia. É isto todas as madrugadas, menos na do Domingo - a única em que o Pai não trabalha. Ocorreu-me esta manhã, porque ouvi os miúdos, que fazem as refeições no horário do país de origem - não sei se acompanhando familiares pela net. E se isso, durante o dia, não me estraga a rotina - trabalho quase sempre com phones... - à noite está a ser complicado. Adormeci pouco antes das sete e sonhei que vivíamos todos não aqui no campo, mas no prédio onde eu morava antes, no Porto, e decidíamos, em condomínio, como explicar o óbvio sem melindrar. Às sete e meia, estava de pé. Prevejo uma dor de cabeça monumental. Eles dormem.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Monday mood (35)

A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto. 
 Provérbios 18,21.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

A Propósito de Nada

E como lidei eu com tudo isto? E por que razão, quando atacado, tão raramente falei ou pareci demasiado perturbado? Bem, tendo em conta o caos maligno de um universo sem objetivos, o que é uma pequena alegação falsa no grande esquema das coisas? Segundo, ser um misantropo tem as suas vantagens — as pessoas nunca podem desiludir-me.
Já está aí a autobiografia de Woody Allen. Leitura obrigatória. De nada, por quem sois.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Sobre a Auto-Ilusão

Estou a ler o último livro de ensaios de Jia Tolentino. Chama-se Reflection on Self-Delusion e é sobre as redes, o uso que fazemos das redes, a forma como estamos nós e os outros nas redes. Do primeiro ensaio:
Of course, people have been carping in this way for many centuries. Socrates feared that the act of writing would "create forgetfulness in the learner's souls." The sixteenth-century scientist Conrad Gessner worried that the printing press would facilitate an "always on" environment. In the eighteenth century, men complained that newspapers would be intellectually and morally isolating, and that the rise of the novel would make it different for people - specifically women - to differentiate between fiction and fact. We worried that radio would drive children to distraction, and later that TV would erode the careful attention required by radio. In 1985, Neil Postman observed that the American deisre for constant entertainment had become toxic, that television had ushered in a "vast descent to triviality." The difference is that, today, there is nowhere further to go. Capitalism has no land to cultivate but the self. Everyting is being cannibalized - not just goods and labor, but personality and relationships and attention. The next step is complete identification with the marketplace, physical and spiritual inseparability from the internet: a nightmare that is already banging down the door.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Pensar a Escola

Há cerca de dez anos, por um acaso do destino, comecei a pensar na Escola. No que ela faz, no que ela não faz, no que ela é, no que ela poderia ser. A celeuma que o regresso das aulas à televisão causou levou-me a ir ver uma aula da minha área. Ao contrário do que dizem os protectores dos professores, quase todos seus colegas de profissão, e eles próprios, para se protegerem do escrutínio, as aulas na televisão não expõem os professores devido ao pouco tempo de preparação que tiveram ou à sua falta de formação em televisão. Nada disso, de resto, lhes pode ser pedido. A um professor só se pode pedir que ensine. A aula a que assisti foi muito instrutiva. As fragilidades das práticas lectivas e didácticas de alguns professores, o seu domínio científico e o conhecimento pedagógico que são capazes de elaborar e transmitir e que determina o futuro e os interesses de gerações sucessivas de alunos, e o emprego, e a sociedade, ali. Eu já sabia que era assim. Mas ver, em tempo real, de onde vêm os bordões e as imprecisões, perceber por que razão é preciso passar o primeiro ano a ensinar o bê-a-bá da escrita é muito bom. A culpa não é dos professores. Dizê-lo é uma ousadia, mas é verdade. É preciso repensar a Escola. O seu sentido, o futuro, o que queremos dela.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Trusted, safe, respected

I see this as an acknowledgement of what is possible when a woman is trusted to discern her own needs, feels safe enough to voice them, and respected enough that they'll be heard (...)
Michelle Williams, aqui

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Mau carácter

Leio que um grande pianista disse que nunca tinha tido um aluno mal formado. O grande pianista justifica que a música, na sua natureza, selecciona aqueles que devem dedicar-lhe as suas vidas. Gostaria de dizer o mesmo, mas não sou o grande pianista. E falta às línguas clássicas, à teologia, à filosofia, este  crivo da natureza. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

What is offensive?

Voltaire has become a kind of mascot for the free-speech side of this debate, and his encounter with the Duc fits the role perfectly. On this view, although Voltaire is outspoken and abrasive, he is ultimately on the side of reason and liberty. Those who take offence are like the Duc: they tyrannically silence others to protect their own sensitivities. The moral of the story is that we must not succumb to the temptation of censoring others, even if their speech is uncomfortable or painful to hear. After all, they are ‘mere words’. 
This argument is premised on a particular conception of what offence is all about. What makes something offensive is that it presents an unwelcome viewpoint that creates discomfort, bruises egos, and hurts feelings. When people take offence, they are trying to silence those who offend them. Call this concept of offence offence-as-hurt.
The main theoretical counter to this view is to argue that offence is not about ‘hurt feelings’, but about real harm. A large body of cross-disciplinary research shows that pervasive messages of exclusion or inferiority directed at disadvantaged or vulnerable groups can cause emotional distress and psychological damage. Words wound, and the wounds are no less real for not being physical. This view has frequently been used to argue for legal prohibitions on hate speech. Call this view offence-as-harm
There is a third possibility that is not often discussed but which, I will argue, does a better job of accounting for many contemporary conflicts over offence. Neither Voltaire nor the Duc would have seen their conflict as a matter of ‘offence’, properly speaking. In 18th-century France, ‘to take offence’ had a very specific meaning: to challenge another man to a duel. In duelling cultures, the challenge was nothing more than a gentlemanly convention for taking offence.To offend meant to insult or to disrespect, not to hurt one’s feelings. And to take offence was to reply to an insult by demanding a show of respect. I call this third alternative offence-as-insult
The duel of honour was a violent practice deeply associated with elitism and is therefore repugnant to today’s moral sensibilities. That said, focusing too much on the differences between offence in the two historical contexts can blind us to important parallels. If the duel seems exotic, the underlying norm of equal respect that was at the heart of honour should be more familiar. The first part of this essay will explain how the duel was used to defend equal status for all gentlemen. The second will show how the same basic concept of offence-as-insult that underlies duelling can make more sense of today’s controversies over offensive speech than either offence-as-hurt or offence-as-harm.
(...)
The concept of honour is the key to understanding such quarrels. Honour was a kind of status, entitling those who possessed it to respectful treatment from others. It was a general social status that, unlike modern legal status, applied across contexts, extending into every aspect of social life. It entitled the gentleman to respectful treatment in the drawing room and on the street, as much as in the courts. As long as this idea of honour held sway, civility manuals explaining the proper behaviour, in any context, towards one’s inferiors and one’s equals were enormously popular.

Clifton Mark, What is offensive? 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

And yet... complicitity.

Desde pelo menos o ano passado, tenho andado a pensar nisto. A objectificação entra sempre à força na vida das mulheres, pois é de violência, e sobretudo de mulheres, que se trata. Violência disfarçada de amizade, dever, favor..., violência indisfarçada: desafio, provocação, desrespeito. Redunda sempre em repulsa, e como quase sempre acontece às mulheres, uma repulsa que não tem nunca um sentido único, que das questões de agenciamento e empoderamento o eu, claramente, nunca pode excluir-se. Não sei de quanto tempo precisamos, não faço a mais pequena ideia como mudar o olhar, mas Anne Valente pretende contribuir para isso, e só o ensejo é de valor. 
My first-ever semester of teaching a college fiction workshop eight years ago, a male student wrote a short story where a male protagonist brutalized women for pages, for the sake of brutalization. In workshop discussion, I raised my question carefully: What work can violence do in fiction? And if it’s not doing necessary work, when does violence become sensationalism? I did not use the word gaze but the student watched me regardless. After class, when every other student had filtered out of the room, he walked to the front of the class while I was erasing the board and said as close as he could to my face, I want you to know that wasn’t just a story. I want you to know that I hate women. My breath stopped but I finished erasing the board and moved to leave the classroom as quickly as possible but he beat me to it. Now if you’ll excuse me, I have to go walk the dog. He smirked. Do you even know what that means? He meant masturbation. He meant humiliation. And he meant fear, both mine and his, that I had challenged his work and that I’d tried to teach him anything at all. That I had stepped outside of his narrative of me, that for a moment I had transcended the camera’s scope. 
Three years ago my husband was a groomsman in the wedding of a friend we’d both known since college. This friend was more my husband’s friend, and at various points had quibbled with the facts in my short stories, had suggested that his PhD in mathematics would gain him more job offers than mine in creative writing ever could, had once cornered me in a bar to tell me in explicit detail how he’d cheated on his girlfriend, and had told my husband when he was still my college boyfriend that he should fuck other women while I was abroad for six months. Nonetheless, my husband and I drove nine hours from Ohio to North Carolina for his wedding. During the reception, as he was making the rounds from table to table and my husband was in the restroom, he leaned down and whispered in my ear, You may think your last name is Valente but this is my wedding so tonight you're just Mrs. Finnell to me. My husband’s last name, what I hadn’t taken four years before when we got married. You may think. This is my wedding. You’re just. To me. The face-slap of this whisper at a wedding, people clinking silverware and toasting all around us. Celluloid. A shot out of focus. I was breathless with anger but I smiled because it was his wedding and even still my anger couldn’t keep me from being sized down to the fact of my body in a cocktail dress, from being shoved back into a camera’s lens, from being every object he intended me to be. 
And yet I am complicit. I grew up on film, which is to say, I grew up acculturated to viewing the world as object, my sense of myself and the world around me sieved through a director’s lens. I knew myself as subject, another kind of spectator beyond the male perspective I was meant comply with, but I also absorbed the inclination to view myself through a haze of projection. We learn to hate ourselves for what is objectified and punished, for what the dominant gaze tells us doesn’t belong. We learn to disavow what hurts. Three weeks after this wedding, I still invited this asshole to my first book’s launch party where he asked from the back of the room during the Q&A to explain the use of the word mathematics in my chapbook’s title, a chapbook that had already come out the year before and that I hadn’t even read from, and what could possibly be elegiac about a system of integers and objects.   
A little voice inside me: Should I delete the word asshole? Am I only making someone who has objectified me an object in turn? Is this complicity—no better? Or is the complicity the little voice itself, the voice of disavowal, the internalized self-hatred that says I was born to be nice, that I shouldn’t push beyond the allotment of my flattened screen?
O texto de Anne Valente na íntegra, aqui.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Papar tudo

Um museu de Lisboa, para mim o melhor e mais bonito (é o que fica às janelas verdes, pois...) posta uma imagem da Anunciação com a correspondente frase latina de quase todos conhecida e recorre à tradução da Bíblia Grega, de Frederico Lourenço, académico que estudo, estimo e admiro por todas as razões, para dar a conhecer aquela frase aos gentios. Foi ontem, o dia em que o Cristiano Ronaldo marcou o golo que a Juventus aplaudiu.

Trocando por miúdos: uma pessoa está no restaurante e trazem-lhe o mais delicioso bacalhau espiritual, garantindo que é a mais deliciosa carne de porco à alentejana. (Pratos escolhidos por mim ao acaso, mas que estão no topo das minhas predilecções gastronómicas.) São ambos pratos excelentes, mas um não é o outro. Não pode ser. Os sabores são tão diferentes quanto os diferentes ingredientes, tempos e modos de preparação. Não importa quão esmerada tenha sido a confecção, não importa o currículo do chefe, nem sequer importa que tudo seja comida, tudo se digira, assimile e desassimile. Que diria se isto lhe acontecesse num restaurante? Eu, de mim para mim, digo you should have known better, por que não viste o jogo do Cristiano?

terça-feira, 3 de abril de 2018

On a brink of a mental crisis

Gen X managed to stretch adolescence beyond all previous limits: Its members started becoming adults earlier and finished becoming adults later. Beginning with Millennials and continuing with iGen, adolescence is contracting again—but only because its onset is being delayed. Across a range of behaviors—drinking, dating, spending time unsupervised— 18-year-olds now act more like 15-year-olds used to, and 15-year-olds more like 13-year-olds. Childhood now stretches well into high school. 
Why are today’s teens waiting longer to take on both the responsibilities and the pleasures of adulthood? Shifts in the economy, and parenting, certainly play a role. In an information economy that rewards higher education more than early work history, parents may be inclined to encourage their kids to stay home and study rather than to get a part-time job. Teens, in turn, seem to be content with this homebody arrangement—not because they’re so studious, but because their social life is lived on their phone. They don’t need to leave home to spend time with their friends. 
If today’s teens were a generation of grinds, we’d see that in the data. But eighth-, 10th-, and 12th-graders in the 2010s actually spend less time on homework than Gen X teens did in the early 1990s. (High-school seniors headed for four-year colleges spend about the same amount of time on homework as their predecessors did.) The time that seniors spend on activities such as student clubs and sports and exercise has changed little in recent years. Combined with the decline in working for pay, this means iGen teens have more leisure time than Gen X teens did, not less.  
So what are they doing with all that time? They are on their phone, in their room, alone and often distressed.

domingo, 25 de março de 2018

Contra a concepção instrumental do próximo

Vivemos numa época em que os pecados sociais adquiriram especial relevo e gravidade, porque são os que nos afectam. E o mais grave de todos eles é a transformação dos homens de fins em meios, essa concepção instrumental do próximo que é a coisa mais anticristã que se inventou. Como gostaríamos nós, cristãos, que os senhores pregassem contra ela e deixassem para o confessionário os pecados de alcova, tão monótonos, tão invariáveis, iguais hoje aos que cometia o rei David, nem mais nem menos, e tão frequentes hoje como em qualquer tempo passado! Além disso, são difíceis de evitar pelas leis do mundo, ao passo que os outros, se se criasse uma consciência colectiva adequada, poderiam ser evitados.
Gonzalo Torrente Ballester, Memória de um Inconformista, daqui.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Educação física

Ao cuidado dos senhores parlamentares,
Não se promove o bem-estar e a saúde colocando a disciplina de Educação Física nas que contam para a média de acesso ao Ensino Superior. O bem estar e a saúde são condições que cada um deve implementar na sua vida, nada têm que ver com competências adquiridas em áreas científicas e de estudo. Dizes tu, porque eras um zero à esquerda em Educação física. Certo, e nunca procurei atestados para não cumprir os requisitos da disciplina. E estive em cada aula - foram doze anos de aulas - à mercê de colegas mais competentes na fisicidade. Hoje chamar-se-ia bullying. Não foi, sou demasiado dona do meu nariz para deixar que qualquer comentário de uma dessas pessoas extremamente competitivas dentro de quatro linhas me derrube. Algumas, muitas dessas pessoas não chegam ao ensino superior, as que chegam e têm filhos, por alguma fatalidade do destino, passam depois as nossas reuniões de turma a pedir histrionicamente perdão pelo que disseram e fizeram, coisas de que, em boa verdade, já nos tínhamos esquecido - já disse que sou demasiado dona do meu nariz para ligar a certas coisas? Agradeço imenso à Educação física a educação cívica que me deu. Sou completamente impassível a ataques desnaturados de outrem, quem quer que ele seja. Posto isso, vinte anos depois de ter sido aluna tenho para mim que a Educação física promove a saúde e o bem estar pelo exercício físico, não pela nota e muito menos por uma nota de acesso. Que isto não seja claro para os senhores parlamentares é algo que me põe a pensar que acesso familiar quererá um ou mais do senhores obviar.
Subscrevo-me respeitosamente, mas pouco.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Não surpreende

quem viva neste mundo de olhos e ouvidos bem abertos, com inteligência, um coração sensível. Não surpreende. Mas deveria pôr de sobreaviso quem pode. O tempo, o mundo não voltam atrás, nada voltará ao que era. Não surpreende. A partir de agora tudo será cada vez mais difícil.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Slow Thought

In championing ‘slowness in human relations’, the Slow Movement appears conservative, while constructively calling for valuing local cultures, whether in food and agriculture, or in preserving slower, more biological rhythms against the ever-faster, digital and mechanically measured pace of the technocratic society that Neil Postman in 1992 called technopoly, where ‘the rate of change increases’ and technology reigns. Yet, it is preservative rather than conservative, acting as a foil against predatory multinationals in the food industry that undermine local artisans of culture, from agriculture to architecture. In its fidelity to our basic needs, above all ‘the need to belong’ locally, the Slow Movement founds a kind of contemporary commune in each locale – a convivium – responding to its time and place, while spreading organically as communities assert their particular needs for belonging and continuity against the onslaught of faceless government bureaucracy and multinational interests. 
In the tradition of the Slow Movement, I hereby declare my manifesto for ‘Slow Thought’. This is the first step toward a psychiatry of the event, based on the French philosopher Alain Badiou’s central notion of the event, a new foundation for ontology – how we think of being or existence. An event is an unpredictable break in our everyday worlds that opens new possibilities. The three conditions for an event are: that something happens to us (by pure accident, no destiny, no determinism), that we name what happens, and that we remain faithful to it. In Badiou’s philosophy, we become subjects through the event. By naming it and maintaining fidelity to the event, the subject emerges as a subject to its truth. ‘Being there,’ as traditional phenomenology would have it, is not enough. My proposal for ‘evental psychiatry’, how we get stuck in our everyday worlds, and what makes change and new things possible for us. 

Um manifesto contra o hamburger que há no facilitismo, na motivação e na fast aprendizagem do ipad e outras papas que dão aos meninos para que eles sosseguem e não dêem trabalho a educar.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Monday mood (16)

Leio num precioso livrinho de Szymborska que os lemingues, criaturas meigas, vivem em tocas que frequentemente sobrelotam. Sempre que isso acontece, abandonam as casas num êxodo desesperado que só pára quando chegam ao mar e se afogam. A natureza, e a história humana, tem destes horrores – diz a poeta.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Notas sobre a escola que temos hoje

Andei a ponderar se haveria de referir-me aos rankings por uma série de razões óbvias -  à excepção do meu ano de estágio, fui Professora  do básico/Secundário de uma única turma, cinco meses, em Palmeira, corria o longínquo ano de 2005 (e essa via encerrou aí) - e outras tantas menos óbvias - a começar pela sua origem e elaborada discussão pelos media, que todos os dias manipulam, dicotomizando, a sociedade, a política, a religião, para vender ou gerar tráfego. Mas agora que li que uma idiota homónima - há disso hoje aos pontapés - esteve no canal que disso detém a patente a perorar sobre Câmara de Lobos e Baião, como se essas localidades vivessem no Paleolítico médio... donde a posição que ocupam nos rankings, achei que deveria colocar os pontos nos is possíveis. É preconceito? É. Mas é, sobretudo, desconhecimento veiculado irresponsavelmente.

Alguns pontos a considerar:
- a elaboração destas classificações não é tutelada (Que pretenderão, então, os seus autores?);
- também não é científica (O meio escolar, como o social, é heterogéneo. Há factores, com diferentes pesos, a ter em conta.);
- assenta em pressupostos erróneos:
-- o privado escolhe os alunos - não, os pais dos alunos escolhem o privado (vão por mim, fiz lá a minha escolaridade toda);
-- o privado é para os ricos [argumento socialmente incendiário]: não, não exclusivamente (vão por mim);
-- os meninos do privado não têm problemas sócio-económicos [argumento socialmente incendiário]: certo, mas têm outros (tão ou mais cabeludos, perdão: determinantes).
- a escola pública não pode competir com o privado (pela falta de recursos).

O único recurso de que qualquer escola precisa são os professores.
Eles existem. Estão no público, estão no privado, até estão em outros sectores. O que o privado descobriu que faz a diferença, e o público teima em desolhar, é a vantagem de institucionalizar o explicador. (A directora do colégio que está melhor cotado, senhora que conheço bem, falava no acompanhamento pessoal. É isto.) Quando o ministério for capaz de perceber isto, mudar (quase) tudo, e implementar a figura do professor-tutor (não é professor do apoio, não é professor-terapeuta; não é professor-amigo), as diferenças esbatem-se. O professor não é um burocrata; o professor não é um assistente social; o professor não é um voluntário; o professor não é um escravo; o professor não é um saco de pancada. O professor é, dos profissionais qualificados, o menos respeitado no nosso país. E, infelizmente, o exemplo vem das cúpulas: uma pessoa lê isto e pasma.