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sábado, 4 de abril de 2020

António Lobo Antunes dixit

A.L.A.: Há um velho provérbio húngaro que diz: "Na cova do lobo não há ateus." Eu julgo que não existe quem não acredite, porque o Nada não existe na Física ou na Biologia e quando se lêem os grandes físicos - Einstein, Max Planck e por aí fora -, vê-se que eram homens profundamente crentes. Chegaram a Deus através da Física e da Matemática e falavam de Deus de uma maneira fascinante. A minha relação é a de um espírito naturalmente religioso - e cada vez mais -, embora não no sentido desta ou daquela Igreja mas naquele que me parece que a ideia de Deus é óbvia. Cada vez o é mais para mim.

As várias religiões que foram sendo edificadas pelos homens têm mais a ver com questões humanas que com a existência de Deus. Se fosse tentado a acreditar que cada religião é criação de Deus, decidiria, sem hesitar, pela não existência de Deus, tais e tantos são os erros, tais e tantas são as marcas dos defeitos mais fundos da alma humana, tanta é a pequenês a que reduzem Deus.

O Homem tende a sentir-se um ser solitário. Falta-lhe algo. Uma espécie de fome e sede não identificadas. Angustiantes. Sofre de um não-sei-quê. Enquanto uns se interrogam, outros vivem como "Deus quer", afirmam. As bem aventuranças pertencem ao Homem, enquanto as mal aventuranças são culpa de Deus. Ora aqui é que, tantas vezes, ao atribuirmos a Deus uma responsabilidade que é dos homens, e só dos homens, de um modo simplório e comercial, se conclui que Deus não existe, pois, se existisse, não morreriam tantas criancinhas, não haveria tantas mortandades por fomes, guerras e tantas outras calamidades. É a maneira mais irresponsável de ver o problema. Confunde-me tanta estupidez, tanta ignorância, tanto vendilhão do Templo. Que Deus seria este que olhasse para os homens como filhos desprotegidos, precisado de miminhos e de boas acções, de incentivos, como dizem os pais modernos que trocam educação por actos de chantagem. O mesmo aconteceria com este Deus Todo Poderoso que reservaria o Paraíso para os bem comportados e o Inferno para os que se portam mal.

Seríamos apenas as tais ovelhas e cordeiros bem comportados que Deus controlaria a seu bel desígnio.

Gil Vicente, numa época em que a Igreja Católica churrascava pessoas como leitões no espeto, falou de livre alvedrio, isto é, mais palavra menos palavra, a liberdade de o Homem poder fazer as suas escolhas. O Bem e o Mal exitem no Homem. Cabe-lhe escolher. Não é Deus que falha ao Homem. É o Homem que falha a si mesmo. Quando escolhe criar situações de guerra, de fome, de doença, de calamidades, de irresponsabilidade, a culpa é do Homem. Nunca é de Deus. 

Que dignidade teria o Homem se fosse o cordeirinho de Deus? Se não tivesse a liberdade de optar por um caminho ou por outro? O homem digno de ser Homem vive para a responsabilidade de criar o Bem Comum, de lutar por uma civilização mais justa, mais fraterna, mais amiga do outro e do seu habitat. Se opta pelos desequilíbrios, desagua no caos. Na infelicidade. Há Deus? Não há Deus? Cada um, em dado momento da caminhada, vai encontrar a sua resposta.

João Céu e Silva, Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes.

sábado, 26 de janeiro de 2013

sábado, 9 de junho de 2012

Moi non plus.

Je Ne Veux Pas Travailler

Ma chambre a la forme d'une cage
Le soleil passe son bras par la fenêtre
Les chasseurs à ma porte
Comme des petits soldats
Qui veulent me prendre

Je ne veux pas travailler
Je ne veux pas déjeuner
Je veux seulement oublier
Et puis je fume

Déjà j'ai connu le parfum de l'amour
Un millions de roses
N'embaumeraient pas autant
Maintenant une seule fleur
Dans mes entourages
Me rend malade

Je ne veux pas travailler
Je ne veux pas déjeuner
Je veux seulement oublier
Et puis je fume

Je ne suis pas fière de ça
Vie qui veut me tuer
C'est magnifique
Etre sympathique
Mais je ne le connais jamais

Je ne veux pas travailler
Je ne veux pas déjeuner
Je veux seulement oublier
Et puis je fume

Je ne suis pas fière de ça
Vie qui veut me tuer
C'est magnifique
Etre sympathique
Mais je ne le connais jamais

Je ne veux pas travailler
Je ne veux pas déjeuner
Je veux seulement oublier
Et puis je fume