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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Replicant Amazon

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quarta-feira, 28 de março de 2012

A Aula de Música

A Aula de Música, Johannes Vermeer (cc. 1662-65)

Não é de agora, mas é recente. Dantes a minha irmã dizia que, enquanto pudesse, pudesse ela, pudessem os alunos, manteria as aulas fora de casa. Nunca percebi muito bem, sempre achei que professor de música que se preze, antes e depois das outras aulas, dos ensaios, dos concertos, das audições, das gravações, dá aulas em casa. 
Depois, os alunos foram aparecendo, o horário foi-se esticando, o tempo tornando-se cada vez escasso, e, precisamente pela sua falta, sem possibilidade de ser ubíqua e lesta, a minha irmã cedeu à prerrogativa inicial e as aulas de três alunos passaram a ser cá em casa. As manhãs de Sábado, por exemplo, são geralmente penosas, mas as da Quinta são uma delícia. Neste momento, está a ter aula a aluna da Quinta de manhã. A aluna é maior, a segunda mais velha aluna da minha irmã. Os dois alunos mais velhos da minha irmã são os seus melhores alunos. As músicas que trabalham são mais difíceis que as dos restantes, o som que conseguem extrair do instrumento mais apurado. E mais vivo, mais dorido e mais bonito. 

Um dia volto à música. Pensamento de Quinta-Feira, todas as Quintas.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Começar o dia com Latim:

Loup, Zdzisław Beksińskiar (2003)


"Lupus est homo homini non homo."
Plauto (254-184), Asinaria.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Anacronismos

Fui esta tarde a um lançamento de um livro de natureza académica sobre coisas da vida que tenho como reais, factuais: já estive, por mais do que uma vez, na presença da maior parte dos seus agentes, e pude constatar que sim, vivem o que escrevem. Dei por mim a pensar nos quase quatrocentos quilómetros de distância que vão do Porto a Lisboa. Quatrocentos quilómetros que correspondem a outros tantos anos-luz, ou mais, de conhecimento de certas realidades. No norte hipotetiza-se, questiona-se se porventura, não se sabe se se pode considerar que, se existirá, o que em Lisboa se é, porque se fez lá atrás, lá atrás. Fiquei triste. Há um fosso tão grande entre o norte e a capital, a academia e o Estádio, nós aqui e eles lá em baixo, muito, mas muito mais, à frente. Sempre achei provinciana a necessidade de migração da minha geração para a capital. Sempre me orgulhei das várias capitais que me foi dado habitar, das minhas várias casas, do meu cosmopolitismo, da adaptação a todo-o-terreno inscrita na condição de ilhéu.

E, contudo, eu sabia que um dia ia arrepender-me de ter feito as malas, de ter uma ética, de ter recusado ser carneiro em Lisboa. Esse dia foi hoje.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Custe o que custar.

O problema da expressão Custe o que custar. está antes de mais no modo, o conjuntivo. Neste tipo de juízo e instâncias similares, o conjuntivo tem um valor deôntico, de dever, através do qual o enunciador procura agir sobre o seu interlocutor, impondo a realização da situação representada na proposição, num tempo necessariamente posterior ao da emissão do juízo. A este valor modal acresce frequentemente também a elisão quer do interlocutor, quer do deíctico referente ao núcleo proposicional. Ou seja: Custe o que custar. tem força de lei; é indefinido; e é impessoal. 

Mas mesmo quando o enunciado não é indefinido, quando o referente está expresso, isso, isto, aquilo, x, y, z, mas o conjuntivo subsume o pronome pessoal, o que é quase sempre, mantém a força. E isso, com ou sem querer, abre um fosso entre os interlocutores. Na verdade, lembrou-me este Custe o que custar. o dia em que extingui, com a minha própria saliva entre o polegar e o indicador, a chama já por demais tremeluzente de uma amizade antiga.

Matei-a, é verdade, antes que o Agradeço que diligencie o assunto. que dirigiu a um dos nossos pares me matasse toda a admiração e simpatia de outrora.