quarta-feira, 29 de agosto de 2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A desperate race



Alice Munro, s/a, s/d, The Paris Review 
"I wrote a lot of stuff that wasn’t any good, but I was fairly productive. The year I wrote my second book, Lives of Girls and Women, I was enormously productive. I had four kids because one of the girls’ friends was living with us, and I worked in the store two days a week. I used to work until maybe one o’clock in the morning and then get up at six. And I remember thinking, You know, maybe I’ll die, this is terrible, I’ll have a heart attack. I was only about thirty-nine or so, but I was thinking this; then I thought, Well even if I do, I’ve got that many pages written now. They can see how it’s going to come out. It was a kind of desperate, desperate race. I don’t have that kind of energy now."

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Terraços

enchíamos os terraços de gambiarras
ou armávamos fogueiras enormes na praia
e dançávamos todo o verão
quase sem tempo para mais


 José Tolentino de Mendonça

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mãe


Js Poncel, Le lien, 1868 
Qual Eugénio, qual Vinicius, qual Quintana, tenho eu, sem exageros, a melhor do mundo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Coisas que foram caindo em desuso - 4

''Os sentimentos muito profundos não se partilham. Não pertencem à História, não são do domínio público.''


Agustina Bessa-Luís em carta escrita na morte de Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Do dia - 38


Boticelli, Madonna of the Magnificat, 1480-82, Uffizi 

Sobre Herbert List *

Onda de sol, verso de ouro
perífrase vã. Extasiar-me,
antes, por esta fusão,
mistura de brilhos. Ou, ainda
mais íntima, a consciência
extensa como o céu, o corpo de tudo,
semelhança absoluta. Respirar
na quebra da onda. Na água,
uma braçada lenta
até ao limite de mim.

Fiama Hasse Pais Brandão (1938 - 2002)


Mais aqui. *

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Na morte de Marilyn

Morreu a mais bela mulher do mundo
tão bela que não só era assim bela
como mais que chamar-lhe marilyn
devíamos mas era reservar apenas para ela
o seco sóbrio simples nome de mulher
em vez de marilyn dizer mulher
Não havia no fundo em todo o mundo outra mulher
mas ingeriu demasiados barbitúricos
uma noite ao deitar-se quando se sentiu sozinha
ou suspeitou que tinha errado a vida
ela de quem a vida a bem dizer não era digna
e que exibia vida mesmo quando a suprimia
Não havia no mundo uma mulher mais bela mas
essa mulher um dia dispôs do direito
ao uso e ao abuso de ser bela
e decidiu de vez não mais o ser
nem doravante ser sequer mulher
O último dos rostos que mostrou era um rosto de dor
um rosto sem regresso mais que rosto mar
e toda a confusão e convulsão que nele possa caber
e toda a violência e voz que num restrito rosto
possa o máximo mar intensamente condensar
Tomou todos os tubos que tinha e não tinha
e disse à governanta não me acorde amanhã
estou cansada e necessito de dormir
estou cansada e é preciso eu descansar
Nunca ninguém foi tão amado como ela
nunca ninguém se viu envolto em semelhante escuridão
Era mulher era a mulher mais bela
mas não há coisa alguma que fazer se certo dia
a mão da solidão é pedra em nosso peito
Perto de marilyn havia aqueles comprimidos
seriam solução sentiu na mão a mãe
estava tão sozinha que pensou que a não amavam
que todos afinal a utilizavam
que viam por trás dela a mais comum imagem dela
a cara o corpo de mulher que urge adjectivar
mesmo que seja bela o adjectivo a empregar
que em vez de ver um todo se decida dissecar
analisar partir multiplicar em partes
Toda a mulher que era se sentiu toda sozinha
julgou que a não amavam todo o tempo como que parou
quis ser até ao fim coisa que mexe coisa viva
um segundo bastou foi só estender a mão
e então o tempo sim foi coisa que passou.

Ruy Belo

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bibliografia



Numa altura em que a cultura é muito pouco no nosso país, ousar pôr em marcha um projecto como este é ousar mostrar que é possível, uma espécie de yes we can fora de tempo, à portuguesa. Seja pela fotografia, pela música, seja pela poesia que é ventura nesta aventura, se se identificar, ajude.


"All hands save ship!" (Herman Melville)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Some writers take to drink, others take to audiences.



"Of course, it is possible for any citizen with time to spare, and a canny eye, to work out what is actually going on, but for the many there is not time, and the network news is the only news even though it may not be news at all but only a series of flashing fictions..." 


Gore Vidal, The Decline and Fall of the American Empire

Obituário: Gore Vidal (1925 - 2012)



Não resisto a transcrever a descrição deste video no Youtube:

"Gore Vidal - literary lion, political gadfly, raconteur and friend of the famous. Vidal is renowned for his historical novels, essays, plays and more. For more than half-a-century, he has been an outspoken critic of American imperialism and more. Now at the age of eighty-one, Vidal looks back on his remarkable life in the second volume of his memoirs. The book is called "Point to Point Navigation"."

Deste autor saiu há anos na Colecção Mil Folhas do Público este livro, uma narrativa extraordinária, crítica mas bem humorada acerca da História dos Estados Unidos que o sistema esconde dos manuais e dos media. Recomendo vivamente.