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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Ser mulher

Ser mulher é hoje menos determinante do que há setenta anos, mas estamos longe de ter atingido um nível aceitável de igualdade. Quando nasci, a preferência dos pais por um rapaz era evidente. Veja-se o que a minha mãe escreveu, a 2 de Agosto de 1943, tinha eu sete meses, no livro intitulado História do Bebé: "Enquanto estava à espera dela, pedia a Deus que o meu filho - nessa altura queria um rapaz - tivesse saúde, inteligência, carácter e vontade e que, se fosse uma menina, também gostaria que fosse bonita." Era assim o mundo em que fui criada.
Maria Filomena Mónica, Bilhete de Identidade.

domingo, 2 de março de 2014

RIP Alain Resnais (1955-2014)

Diz-se que Jdanov puxava da caneta
sempre que ouvia a palavra “memória”:
 apontava baixo e certeiro – era difícil
não lhe sorrir. Os tecnocratas,
toda a gente o sabe, têm boa pontaria.
Do 'Inferno' sabem tudo, mas do inferno
nunca ouviram falar. Percebe-se,
evidente, que lhes dá mais jeito assim.

Estão por conta do 'zeitgeist', pensam
eles, e continuam. Isso lhes basta.
A vontade é o seu elemento: descem
manípulos, orientam lâmpadas, decidem
ângulos, apõem rubricas – é surpreendente
a facilidade com que gritam
“corta!”, “rua!”, “mata!”, “não!”

- José Miguel Silva, Movimentos no Escuro, 2005

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A revolução é uma necessidade - 5

"Elevador pra Glória", 25 de Abril de 1974, Victor Valente©

25 DE ABRIL


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 26 de março de 2012

Diz que é uma espécie de épica - 3

"Quem viu na TV a imagem de um homem ensanguentado gritando "Liberdade! Liberdade!" em direcção à tropa do dr. Miguel Macedo que, como em 24 de Novembro último, espancou selvaticamente jovens que, em vez de acatarem o conselho do primeiro-ministro e emigrarem, se manifestaram na quinta-feira em Lisboa, não pode deixar de descobrir afinidades (até nas agressões a jornalistas e nos comunicados oficiais falando de "ordem e segurança" e culpando as vítimas) com o que aconteceu há 50 anos. E de inquietar-se."


Manuel António Pina, hoje, no JL

sábado, 17 de março de 2012

Gente gira - 7

Mel Ferrer, Audrey Hepburn e Truman Capote, s/a, s/d

Houve uma altura, quando ainda saíamos os quatro, em que eu e os meus irmãos, mais por pedido incessante, e mais ou menos impositivo, dos mais novos do que por premência, não passávamos sem tirar fotografias palermas no photobooth à saída do cinema. Divertia-nos as tirinhas que saíam no fim com as nossas figurinhas minúsculas. Lembro-me que cheguei a andar com umas quantas na carteira, no tempo em que se andava com fotografias na carteira. Quando digo que eram palermas o que quero dizer é que o nosso objectivo era gravar para a posteridade as caretas possíveis naquele momento, nunca posámos assim solenes e garbosos como os três da foto que encima este post. Outros tempos...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Obituário: Whitney Houston (1963 - 2012)



O filme terá saído por alturas dos meus 11 anos - no entanto, só o veria aos 13, numa sessão de final da noite do canal regional, preparava um teste - maturidade e educações musicais à parte, mantenho o de há 20 anos: esta mulher é dona de um vozeirão e de uma beleza só dela. E isso é o bastante para a história e para a memória. RIP Whitney Houston.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fernando Assis Pacheco (1-2-1935 - 30-11-1955)

Imagem daqui

No dia em que passam 75 anos sobre o nascimento de Fernando Assis Pacheco é lançado o livro Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco, a biografia desta figura extraordinária da cultura portuguesa, da autoria de Nuno Costa Santos. É no Cinema Nimas, em Lisboa, às 18 horas, a entrada é livre e do programa consta ainda "Saudade Burra de Fernando Assis Pacheco", também da autoria de Nuno Costa Santos, um documentário que espero encontrar em breve à venda, e intervenções de amigos e familiares de Fernando Assis Pacheco. 


As gerações mais novas, em que me incluo, conhecem pouco a personalidade e o génio, Fernando Assis Pacheco, e este desconhecimento é extensível à sua época, uma que ocasionalmente chega até nós em laivos nas conversas com os pais, com os avós, com familiares e os amigos. Até há bem pouco tempo a palavra intervenção tinha caído em desuso. Quis o nosso tempo, a nossa circunstância, que ela fosse revitalizada. Fernando Assis Pacheco é sinónimo de intervenção.  Conhecê-lo é perceber a premência desta nossa recente necessidade. Leia-se esta biografia e com ela a bibliografia activa de Fernando Assis Pacheco, de onde aproveito para reproduzir o seguinte poema:

Toda a epopeia da família cabe aqui
um avô galego chegado a Portugal rapazinho
outro de ao pé de Aveiro que se meteu
num barco para S. Tomé a fazer cacau

de filhos seus nasci
com este pouco de inútil fantasia
nutrida em solidões nas que me vejo
nu como um bacorinho na pocilga

e como ele indefeso e porém quis
mesmo assim ser mais que o animal
no tutano dos ossos pressentido

não peço nada usai o meu nome
se vos praz lembrai-me
o que for costume

mas livrai-vos do luxo e da soberba


Para ler mais Fernando Assis Pacheco, vá aqui.