pomos preto no Instagram e fazemos blackout e divulgamos links de sensibilização. Não somos racistas. Já esquecemos que nos morreu um ucraniano no aeroporto, um homem cujo nome teremos ouvido uma vez para não mais lembrar, um homem sem nome, sem gente a sair às ruas por ele, sem pessoas de certos sectores a tomar posição, sem eu e tu a sensibilizarmos este e aquele para o quanto a vida é difícil para alguns. O marketing digital é de modas lixado.
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quarta-feira, 3 de junho de 2020
segunda-feira, 4 de maio de 2020
A Martinha
Uma pessoa que, como eu, não tenha televisão está protegida de muita coisa. Uma pessoa que tenha Facebook e procure informar-se pelos canais que considera mais fidedignos na internet, está protegida de muita coisa. O meu feed do Facebook, por exemplo, é uma caixa de ressonância daquilo que eu penso; as plataformas que uso para obter informação respondem às minhas perguntas de um modo que eu considero razoável e satisfatório. Mas o país e o mundo não é a minha rede de amigos no Facebook, nem a Atlantic, nem a New Yorker, nem o New York Review of Books.
O país detesta a Ministra, uma mulher sem filhos, racional e competente, e o mundo não entende o confinamento do povo, mas não dos políticos. O país está revoltado porque a, b e c foram à Assembleia celebrar o 25 de Abril e x, y e z ao Parque Eduardo VII para o 1.º de Maio, mas o povo não pode passar os filhos para a alçada dos avós, os shoppings e os restaurantes não podem abrir, os médicos não podem ganhar mais, ainda não pode haver uma vacina, e nada poderá ser como era antes. A culpa é da Martinha. Foi a Martinha que decidiu, a Martinha que avaliou, a Martinha que não quer pagar, a Martinha que não faz uma vénia e se ajoelha em directo perante todos os profissionais que fazem o que a profissionais compete.
Já pensei que a culpa fosse da Escola - tendemos sempre a colocar o problema na nossa área -, que a Escola ensina pouca estatística, não propõe estudos de caso, não implementa o método científico, não se presta à interpretação das nuances, desvaloriza o peso da mais pequena dissonância na vida... Depois concluí que o problema é social, cultural, mas sobretudo pessoal. E está na perda do hábito da leitura. A gente não lê, os estímulos do meio envolvente não ajudam, é-se incapaz de empatia, não se sabe analisar uma situação complexa; em suma, pensa-se pouco e mal. É assim que estamos todos entregues ao perigo maior que é a ignorância boçal activa.
Fica aqui o melhor artigo que li para explicar por que é tão complicado comunicar, prevenir, tratar, viver e sobreviver ao momento actual.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Para memória futura (2)
Alguém achou que isto está bonito, bem apanhado, faz sentido. Passa na tv, é comentado nas notícias. Vou sentar-me à espera do dia de Pentecostes para ver se quem manda pode trata de explicar isto. Antes disso, só porventura o Ricardo Araújo Pereira nos pode salvar a honra e demonstrar a dimensão aviltante deste fail.
terça-feira, 24 de setembro de 2019
Trusted, safe, respected
I see this as an acknowledgement of what is possible when a woman is trusted to discern her own needs, feels safe enough to voice them, and respected enough that they'll be heard (...)
Michelle Williams, aqui.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Monday mood (24)
Ai, as sempre tensas relações entre patrões e trabalhadores. Ai, a força do amor que é fogo e Deus. Mesmo que vejamos este espectáculo, que é a vida, com a curiosidade do acidente, convém se não retirarmos ilações, pelo menos pensarmos sobre o nosso tempo, a nossa humanidade, o futuro.
terça-feira, 8 de maio de 2018
A beleza dos clássicos
In our internet-enabled age of narcissism, where the term ‘beauty’ has been seized by the advertising and cosmetics industries, we might do well to remember the range of the beautiful. In Xenophon’s Memorabilia of 371 BCE, when Socrates is asked if he knows of beauty, he replies confidently: ‘Yes, many things’, because beauty itself is various, found not just in statues or songs. Wrestlers and runners, he explains, can be beautiful, too. This makes sense if you’ve ever watched the arc of a tennis racket as a champion goes to serve, or caught the even, loping stride of a middle-distance runner, a Vitruvian man in motion, everlastingly striving. There can be beautiful gestures, too: the mass gathering of innocents resisting a state that injures or ignores them, or the individual acts of care by which we demonstrate our alertness to a shared future.
Shahidha Bari, The Puzzle of Beauty.
sexta-feira, 16 de março de 2018
Disarming the weapons of massive distraction
Attention is what draws us out of ourselves to experience and engage in the world. The word is often accompanied by a verb—attention needs to be grabbed, captured, mobilized, attracted, or galvanized. Reflected in such language is an acknowledgement of how attention is the essential precursor to action. The founding father of psychology William James provided what is still one of the best working definitions:
It is the taking possession by the mind, in clear and vivid form, of one out of what seem several simultaneously possible objects or trains of thought. Focalization, concentration, of consciousness are of its essence. It implies withdrawal from some things in order to deal effectively with others.
(...) Attention is a complex interaction between memory and perception, in which we continually select what to notice, thus finding the material which correlates in some way with past experience. In this way, patterns develop in the mind. We are always making meaning from the overwhelming raw data.
Chamem-me ludita. O texto de Madeleine Bunting é longo, mas merece toda a atenção.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
Desejarmos todos a liberdade para todos. Ponto.
Este texto é o texto mais importante e lúcido que li sobre uma temática que não se esgota nos epifenómenos que têm aparecido um pouco por todo o lado desde o final do ano passado e que, por isso, é tão complexa, tão candente, que merece todo o tempo, a atenção e a reflexão que lhe pudermos dar.
quinta-feira, 13 de julho de 2017
As Palavras e a Vida (2)
I was 20 when I got my hands on the newly published Unabridged Journals—a rep for Random House snuck me a free copy in my mailbox at Brookline Booksmith, the hip independent bookstore where I worked part-time while I studied literature and creative writing at Emerson College, downtown. I felt like I’d been given a bacon cheeseburger after a Lenten fast: 1982’s abridged journals were one-third the size of this chunky tome, with its chrome-tinted photograph of Plath at her Smith College graduation, smiling, looking off-camera, being handed a white carnation by a disembodied, feminine hand. Plath, the Real Plath, always elusive, was in here, I felt. So familiar was I with the abridged edition that I immediately knew where to look, based on the dates, to discover sections that had been mercilessly cut in the previous edition—to the point that many passages had made no sense at all. Why, for instance, did Plath meet Hughes one night at a party, bite him on the cheek when he kissed her, flee to Paris to see another boyfriend with barely a mention of Hughes’s name, and then marry him with no further commentary three months later? What had happened in between?Emily Van Duyne, sublinhando o perturbador apagamento da vida de Sylvia Plath, aqui.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Sublinhados
A decadência da cidade, da qual a turistificação é mais uma consequência do que uma causa, encontra as suas raízes na moderna despolitização (que se tornou um lugar-comum da teoria política desde Carl Schmitt). Como disse uma vez Giorgio Agamben numa entrevista, para superar a decadência da cidade seria necessária uma nova forma de vida que encontrasse ao mesmo tempo a capacidade de habitar e a vida política.
António Guerreiro, hoje no Público.
A decadência da espécie, aqui.
sábado, 8 de março de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Ainda de ontem - 26
Nacionalizem os feitos do trabalho e do talento do CR à vontade. O discurso é em madeirense, as lágrimas teimosas, madeirenses e a subtileza com que dá as costas ao Blatter é madeirense.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
terça-feira, 29 de maio de 2012
Sobre a ociosidade e pusilanimidade gerais
Deixei-me ficar muito tempo sentado àquela mesa, abatido. O que me preocupava não era apenas a legalidade duvidosa da situação, nem o acréscimo de esforço e responsabilidades que ela me traria. Era que havia sido decidida pelos meus pares por pura comodidade, num acesso de leviano egoísmo, a que os problemas da cidade, os interesses de Roma eram completamente alheios. Como é que aquilo se tinha tornado possível? Não haver sequer uma voz que chamasse à discussão o interesse público, nem um raciocínio que ponderasse as ameaças que impendiam sobre Tarcisis, nem um gesto mínimo de renúncia sobre a ociosidade e pusilanimidade gerais... Estavam então assim os meus cidadãos? Os meus súbditos, como eu quase poderia agora dizer com propriedade?
Nessa noite, escrevi até altas horas, não para Roma, mas para mim próprio, na intimidade do meu cubículo. Quis tomar nota de tudo, antes que sobreviesse o esquecimento.
Mário de Carvalho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde
terça-feira, 22 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
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